Em cúpula da Celac-União Europeia, presidente marca posição contra interferências externas e reforça papel do Brasil como voz pela paz na região.
Durante a Cúpula da Celac-União Europeia, realizada no domingo (9), na Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso firme em defesa da soberania latino-americana e da paz na região. Sem citar diretamente os Estados Unidos ou a Venezuela, Lula criticou o uso de força militar no Caribe e deixou clara a posição do Brasil de rejeitar qualquer tipo de intervenção externa.
“A ameaça de uso de força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe”, afirmou. “Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais. Defendemos: somos uma região de paz e queremos permanecer em paz.”
Um recado diplomático com peso geopolítico
O discurso, lido e sem improvisos, foi analisado por Isabel Mega, comentarista de política da CNN, como um movimento calculado e simbólico do governo brasileiro. Segundo ela, Lula quis marcar território, reforçando a imagem de liderança regional e de solidariedade à Venezuela, especialmente em um momento de tensões provocadas por operações militares próximas à costa venezuelana.
Mega avalia que o posicionamento reafirma a tradição diplomática do Brasil de mediação e não intervenção. “Lula deixa muito clara uma posição de não aceitar interferências externas na região”, explicou.
Relações com os Estados Unidos e novos acordos comerciais
O contexto político e econômico amplia o peso das declarações. O Brasil tenta avançar nas negociações com os Estados Unidos para reverter o aumento das tarifas sobre o aço nacional: um tema sensível nas relações bilaterais. Apesar do tom crítico à interferência externa, o Planalto busca manter o diálogo aberto com Washington, equilibrando firmeza diplomática e pragmatismo econômico.
Lula também aproveitou o palco da cúpula para abordar outros temas, como o combate à criminalidade, destacando que “não existe solução mágica” para o problema: uma frase que, segundo analistas, pode ser lida como uma crítica indireta à retórica de uso da força para resolver crises regionais.
Otimismo com o acordo Mercosul-União Europeia
O presidente encerrou seu pronunciamento com um tom mais propositivo, demonstrando otimismo quanto à conclusão do acordo Mercosul-União Europeia, que pode ser finalizado na próxima cúpula do bloco, em dezembro. O tratado é visto como um passo essencial para a diversificação dos mercados brasileiros e o fortalecimento das parcerias estratégicas.
No fim, o discurso de Lula ecoa como um lembrete sobre o papel histórico do Brasil: o de promover o diálogo, a integração e a defesa da paz em um continente que, mais do que nunca, precisa reafirmar sua própria voz diante das potências globais.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Folha de Curitiba













