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Maduro desafia os EUA e promete resistir: “Ninguém vai tirar nossa liberdade”

Em meio a novas tensões com Washington, presidente venezuelano reforça discurso de soberania e prepara defesa em estilo guerrilheiro diante da possibilidade de ataques americanos.

Em um momento de incerteza e tensão crescente, a Venezuela volta a ocupar o centro das atenções mundiais. Diante das ameaças veladas dos Estados Unidos e das recentes movimentações militares na região, o presidente Nicolás Maduro ergueu novamente a voz do nacionalismo e prometeu que o país “jamais abrirá mão de sua liberdade e independência”. O discurso, transmitido pela mídia estatal nesta segunda-feira (10), ecoou entre os apoiadores do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e reforçou a postura de resistência do governo chavista.

“Que nos importa o que o império norte-americano diz? Ninguém vai tirar nossa paz e nossa liberdade”, declarou Maduro, em tom desafiador, após o Senado dos EUA rejeitar uma proposta que impediria o presidente Donald Trump de ordenar ataques à Venezuela sem autorização do Congresso.

Tensão após votação no Senado americano

Na última quinta-feira (6), o Senado dos Estados Unidos bloqueou uma resolução que limitaria o poder de Trump para realizar ofensivas militares contra a Venezuela. A votação, decidida por 51 votos a 49, manteve a autonomia do presidente para agir sem o aval do Congresso, reacendendo temores sobre uma possível intervenção.

Embora autoridades americanas tenham afirmado que “não há planos imediatos” de ataques, a movimentação de tropas e navios na região e a intensificação das ações navais de Washington; que já resultaram em mais de 70 mortes desde setembro, segundo o secretário de Defesa dos EUA, deixaram o clima diplomático ainda mais tenso.

O governo americano alega que as embarcações atingidas transportavam drogas, mas a falta de provas concretas levantou questionamentos de especialistas e líderes internacionais, que cobram explicações mais transparentes.

Preparação para a “resistência prolongada”

Fontes próximas ao alto comando militar venezuelano revelaram que o regime de Maduro vem mobilizando armamentos antigos de fabricação russa e preparando uma estratégia de defesa em estilo guerrilheiro, caso o país seja alvo de um ataque terrestre ou aéreo.

Documentos de planejamento obtidos pela agência Reuters apontam que a chamada “resistência prolongada” envolveria pequenas unidades militares espalhadas em mais de 280 pontos estratégicos, com foco em sabotagens e táticas de guerrilha.

A medida, segundo analistas, é um reconhecimento da fragilidade das Forças Armadas venezuelanas, que enfrentam escassez de recursos, baixos salários e equipamentos deteriorados. Algumas unidades, inclusive, estariam negociando alimentos com produtores locais para sustentar as tropas, de acordo com fontes ouvidas pela agência.

A estratégia da “anarquização”

Outra possível linha de defesa, mantida em sigilo pelo governo, seria a chamada “anarquização”: um plano que envolveria o uso de forças de inteligência e apoiadores armados do PSUV para criar desordem nas ruas e tornar o país ingovernável caso forças estrangeiras tentem intervir.

“Não duraríamos nem duas horas em uma guerra convencional”, teria admitido uma fonte próxima ao governo, ressaltando que o país não possui estrutura militar para enfrentar um dos exércitos mais poderosos do planeta. Mesmo assim, a retórica de Maduro se mantém firme no tom de resistência e desafio.

O peso simbólico da resistência

Enquanto a população enfrenta um cotidiano de dificuldades econômicas, escassez e incerteza, o discurso de soberania de Maduro toca em um ponto sensível da história venezuelana: o orgulho nacional. Ele evoca a memória de Simón Bolívar, o libertador da América, e convoca o povo a se unir em defesa da pátria.

“Eles acham que com um bombardeio acabarão com tudo. Aqui neste país?”, ironizou o ministro do Interior, Diosdado Cabello, em tom de provocação, durante transmissão na TV estatal.

Entre ameaças externas e fragilidades internas, a Venezuela segue resistindo entre a fé em sua independência e o medo de um novo capítulo de violência. No meio dessa tensão, permanece a pergunta que ecoa entre seus cidadãos: até que ponto é possível defender a liberdade quando o preço dela é a própria sobrevivência?

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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