Mesmo com risco de multa de R$ 100 mil por hora, produtores rurais persistem na interdição de trecho estratégico da rodovia federal.
A cena se repetiu neste domingo (1.º): a BR-364, artéria vital para o transporte e a integração de Rondônia com o restante da Amazônia, ficou bloqueada novamente no trevo de acesso a Cujubim, no km 564, por produtores rurais que insistem em manter a interrupção do tráfego, mesmo diante de uma decisão judicial com multa estipulada em R$ 100 mil por hora caso a obstrução persista. Uma imagem que simboliza a tensão entre o direito de protestar e a necessidade de preservar o direito de ir e vir de toda a população.
Justiça já havia proibido bloqueios e fixado multa pesada
Na última semana, a Justiça Federal em Rondônia, por meio da 1ª Vara Cível da Seção Judiciária do estado, concedeu tutela de urgência no processo nº 1001422-36.2026.4.01.4100, proibindo qualquer tipo de bloqueio da rodovia, apontando risco concreto de paralisação da via e prejuízos à coletividade.
O valor da multa é de R$ 100 mil por hora de bloqueio, com possibilidade de elevação caso seja considerado insuficiente para garantir o cumprimento da ordem judicial. Embora a decisão tenha sido proferida na quinta-feira (29/1), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que, até sábado (31/1), ainda não havia sido oficialmente feita a intimação formal aos manifestantes por um oficial de justiça: passo necessário para que medidas mais contundentes possam ser adotadas. A prioridade, segundo a corporação, segue sendo a resolução pacífica do impasse.
Motivações e impacto da interdição
Os produtores rurais que realizam o bloqueio ocupam uma área de preservação conhecida como Estação Ecológica Soldado da Borracha, de cerca de 190 mil hectares, criada em 2018 e localizada entre Porto Velho e Cujubim. A partir daí, seguem reivindicando queixas ligadas a essa área e aos impactos que ela teria sobre suas atividades.
Para a Justiça, embora o direito constitucional à manifestação seja legítimo; inclusive contra pedágios e processos de concessão, ele não pode ser exercido de forma a violar direitos fundamentais de outros cidadãos, como a livre circulação, nem comprometer a segurança viária e a continuidade de serviços públicos essenciais. A BR-364 é estratégica não apenas para a economia local, mas para o abastecimento, o transporte de cargas e a mobilidade de milhares de pessoas.
A rodovia como espelho de tensões mais profundas
O bloqueio da BR-364 é mais do que um ponto de lentidão no trânsito: reflete um momento de fricção intensa entre produtores rurais e o Estado, conflitando com o interesse de toda uma população que depende daquela via para viver, trabalhar e conectar cidades e famílias. A cada hora parada, o prejuízo ao direito de ir e vir, à economia regional e à rotina de quem transita pela rodovia cresce, deixando marcas que vão além dos carros alinhados no asfalto.
É nesse choque de realidades que se desenha a urgência de um diálogo que respeite a voz de quem protestou, mas também garanta o direito de todos de seguir seus caminhos sem entraves. A BR-364 não é apenas uma estrada; é um símbolo de continuidade e conexão que afeta, diretamente, a vida de cada rondoniense que nela circula.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Rondoniaovivo













