Senador afirma que apoio do governador de São Paulo consolida articulação eleitoral, apesar de ruídos e tensões nos bastidores.
Em meio às articulações que já começam a desenhar o cenário das próximas eleições, o senador Rogério Marinho afirmou enxergar unidade na direita brasileira. Para ele, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, segue alinhado à família Bolsonaro e o apoio ao senador Flávio Bolsonaro é um sinal claro de que o campo conservador pretende caminhar junto na disputa contra o PT.
Em entrevista, o ex-ministro destacou que a declaração pública de Tarcísio em favor da pré-candidatura de Flávio reforça uma estratégia comum. Segundo Marinho, a direita tem um adversário definido e deve manter coesão para enfrentá-lo. Para ele, não há espaço para divisões internas diante do que considera um projeto político maior.
Declaração pública e lealdade a Bolsonaro
Na última sexta-feira, Tarcísio afirmou de forma direta que apoia a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. O governador reforçou sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que seguirá a indicação feita por ele. Segundo Tarcísio, essa posição não representa mudança de discurso, mas a continuidade de algo que já vem sendo dito desde 2023.
O governador também comentou as especulações sobre uma possível candidatura própria à Presidência da República. Disse que esse tipo de debate é natural para quem ocupa o comando do maior estado do país, mas garantiu que não deixará o cargo em abril, sinalizando foco, ao menos neste momento, na gestão paulista.
Visita cancelada, explicações e desconforto político
Outro ponto que ganhou destaque foi o cancelamento da visita de Tarcísio a Jair Bolsonaro, preso no complexo da Papuda, em Brasília. O encontro estava previsto para a última quinta-feira e havia sido solicitado pelo próprio ex-presidente. O governador afirmou que o cancelamento se deu por questão de agenda e negou qualquer motivação política.
Segundo ele, quando uma visita é solicitada, o tribunal define a data, e imprevistos podem ocorrer. Tarcísio afirmou que tinha um compromisso pessoal naquele dia e, por isso, pediu imediatamente o reagendamento. A nova visita ficou marcada para a próxima quinta-feira.
Nos bastidores, no entanto, o episódio foi interpretado por interlocutores como um sinal de desconforto do governador diante da pressão para declarar apoio mais enfático à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Declarações recentes do senador à imprensa, mencionando cobranças do pai, foram lidas por aliados de Tarcísio como um gesto de tensão.
Centrão minimiza ruídos e aposta em acomodação
Lideranças do Centrão têm adotado um tom mais cauteloso e minimizado os atritos. Para esses dirigentes, ainda há muito tempo até a eleição e o caminho natural de Tarcísio segue sendo a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou ter convicção do apoio do governador a Flávio e disse não enxergar racha no grupo.
Outros líderes, sob reserva, avaliam que há irritação e ruídos, mas não rompimento. Para eles, a relação entre Tarcísio e a família Bolsonaro é de interdependência e tende a se ajustar com o tempo. A leitura é de que Flávio acelera o processo eleitoral, enquanto o governador prefere agir no próprio ritmo.
Apesar da tendência à reeleição em São Paulo, aliados reconhecem que a equipe de Tarcísio trabalha com cenários alternativos. O foco segue no estado, mas há preparação para mudanças de rota, caso o contexto político exija. Em um tabuleiro ainda em movimento, discursos públicos falam em união, enquanto os bastidores revelam negociações, cautela e um jogo que está longe de ser concluído.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado













