Ação interestadual mobilizou mais de 200 policiais e revelou rede criminosa estruturada, ligada ao tráfico, extorsões e ataques incendiários.
Ainda era início da manhã quando centenas de policiais civis tomaram as ruas de várias cidades de Rondônia e até de Mato Grosso do Sul. A cena, digna de grandes operações nacionais, marcou mais um capítulo decisivo no enfrentamento ao crime organizado no Norte do país. A Operação “Descarrilho II” resultou na prisão de 39 integrantes da facção Comando Vermelho e expôs uma engrenagem criminosa extensa, violenta e altamente organizada.
A ofensiva foi deflagrada nesta sexta-feira (4) pela Polícia Civil de Rondônia para desarticular uma rede de tráfico de drogas com forte atuação nas regiões de Rolim de Moura e Jaru. A ação integrou a RENORCRIN, rede nacional do Ministério da Justiça voltada ao combate às organizações criminosas.
Ação interestadual e estrutura de guerra
Ao todo, foram cumpridos mandados em Rolim de Moura, Jaru, Ji-Paraná, Cacoal, Espigão do Oeste, Theobroma, Vale do Anari, Machadinho do Oeste e também em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A operação foi coordenada pela 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado, com apoio da Secretaria de Segurança, Delegacias Regionais, CORE, Departamento de Polícia do Interior e Ministério Público de Rondônia.
Mais de 200 policiais civis participaram da ação, que cumpriu 98 medidas cautelares expedidas pela Justiça, sendo 39 mandados de prisão preventiva, 30 mandados de busca e apreensão domiciliar e 29 bloqueios de bens dos investigados.
Em Rolim de Moura e região, foram decretadas 24 prisões e 21 buscas. Já em Jaru, a Justiça autorizou 15 mandados de prisão e nove de busca contra integrantes envolvidos também em ataques criminosos a provedores de internet.
Origem da investigação e crimes brutais
As investigações começaram após um flagrante envolvendo os crimes de sequestro e cárcere privado. Dois homens foram capturados por membros do Comando Vermelho por comercializarem drogas sem autorização da facção e sem pagar a chamada “contribuição”. A atuação rápida da polícia impediu que as vítimas fossem executadas.
A partir desse episódio, os investigadores descobriram uma organização criminosa altamente estruturada, com divisão clara de funções e atuação intermunicipal no tráfico de drogas. As ordens partiam diretamente do núcleo da facção no Rio de Janeiro.
A hierarquia incluía lideranças, gerentes de bairros e entregadores responsáveis pela distribuição de entorpecentes em diversos municípios da região.
Lavagem de dinheiro, tribunal do crime e ataques incendiários
A operação também revelou esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro, realizados por meio de contas bancárias de terceiros, os chamados “laranjas”, com movimentações financeiras consideradas suspeitas. Um grupo de WhatsApp com o nome “Diretoria Rolim de Moura” era utilizado para coordenar ações criminosas, com endereços e valores codificados para despistar a polícia.
Outro dado alarmante foi a existência de um chamado “tribunal do crime”, usado para julgar rivais e aplicar punições. Em Jaru, os ataques incendiários contra provedores de internet foram ordenados como forma de retaliação e extorsão a empresários que se recusaram a pagar valores exigidos pela facção, colocando em risco trabalhadores e causando prejuízos significativos.
Ao final da operação, a Polícia Civil reforçou o compromisso com o enfrentamento ao crime organizado, destacando a atuação integrada com o Ministério Público e a SESDEC.
Mais do que números, prisões ou apreensões, a “Descarrilho II” revela a dura realidade de uma guerra silenciosa travada diariamente contra o crime. Uma guerra que, desta vez, teve uma resposta firme do Estado e que reacende na população a esperança de que segurança pública não seja apenas promessa, mas construção contínua feita com coragem, inteligência e justiça.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Polícia Civil













