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Mensagens citam R$ 20 milhões à empresa de Toffoli e ministro manda PF enviar provas ao STF

Relatório aponta conversas de Vorcaro sobre pagamentos; magistrado nega ter recebido valores e determina envio integral de dados apreendidos.

O caso Banco Master avança por um terreno cada vez mais sensível e expõe o Supremo Tribunal Federal a uma pressão inédita nos bastidores. Conversas encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mencionam pagamentos de ao menos R$ 20 milhões à empresa da qual o ministro Dias Toffoli é sócio. Ao mesmo tempo, o próprio ministro determinou que a Polícia Federal envie ao STF todas as provas apreendidas na investigação. O enredo mistura suspeitas, negativas categóricas e um ambiente institucional que exige máxima transparência.

Investigadores da Polícia Federal confirmaram ter identificado diálogos entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, nos quais aparecem referências a pagamentos à empresa Maridt, ligada à família de Toffoli. Apesar das menções, os agentes ressaltam que ainda não há comprovação de que qualquer valor tenha sido efetivamente transferido ao ministro ou a intermediários.

O que dizem as mensagens

O relatório entregue ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, descreve trocas de mensagens que tratariam de repasses à Maridt. Segundo apuração, os diálogos fariam referência a cifras que somariam pelo menos R$ 20 milhões.

As conversas foram extraídas do celular de Vorcaro durante as investigações. Fontes ligadas ao caso descrevem o conteúdo como uma “tempestade” de menções a autoridades desde 2022, comparando o volume e a sensibilidade das citações ao que se viu no auge da Lava Jato.

Toffoli aparece entre os nomes mencionados, mas não é formalmente investigado. Não houve quebra de sigilo bancário ou fiscal do ministro.

A venda do Resort Tayayá

O ponto central da suspeita envolve o Resort Tayayá, no Paraná. A Maridt, empresa da qual Toffoli é sócio, vendeu participação do empreendimento ao Fundo Arleen, apontado como ligado a Vorcaro.

Em nota, o gabinete do ministro confirmou que ele integra o quadro societário da Maridt, empresa familiar, mas afirmou desconhecer o gestor do fundo Arleen. Toffoli também declarou que nunca manteve relação de amizade, “muito menos amizade íntima”, com Daniel Vorcaro e que jamais recebeu qualquer valor do banqueiro ou de seu cunhado.

A Polícia Federal investiga se eventuais transferências teriam partido da estrutura societária relacionada ao fundo que adquiriu participação no resort.

A reação de Toffoli

No mesmo dia em que admitiu ser sócio da empresa envolvida na venda do resort, Toffoli determinou que a Polícia Federal envie ao Supremo todos os dados extraídos de celulares e demais provas já documentadas nas operações do caso Banco Master.

A decisão, que tramita sob sigilo, exige que sejam encaminhados também laudos periciais do material apreendido. Nos bastidores, a medida foi interpretada como um sinal de que o ministro pretende permanecer na relatoria do processo, mesmo diante das pressões e da exposição pública.

O gesto é visto por aliados como demonstração de confiança na própria conduta. Já críticos enxergam na decisão um movimento estratégico em meio ao debate sobre eventual suspeição.

Um teste para as instituições

O caso ainda está em fase de apuração. Há menções, suspeitas e mensagens sob análise técnica, mas não há, até o momento, comprovação de repasses ao ministro. A investigação segue e pode ganhar novos contornos à medida que o material periciado for incorporado formalmente ao inquérito.

Em um momento em que a confiança nas instituições é constantemente colocada à prova, cada revelação pesa. Não se trata apenas de cifras ou de mensagens extraídas de um celular. Trata-se da credibilidade de decisões que impactam todo o país. A resposta a esse episódio precisará ser tão sólida quanto as dúvidas que hoje inquietam a opinião pública.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Carlos Moura/STF

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