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Metanol em bebidas: bares interditados e vítimas em SP e PE expõem risco invisível

Casos de intoxicação por destilados adulterados já provocaram mortes, internações e apreensões; saiba os sintomas e como se proteger.

O que deveria ser sinônimo de lazer e descontração tem se transformado em tragédia em várias cidades brasileiras. Autoridades de saúde e segurança pública soaram o alerta máximo após uma série de casos de intoxicação por metanol, substância altamente tóxica encontrada em bebidas alcoólicas adulteradas.

Em São Paulo, já são 22 ocorrências registradas: sete confirmadas e 15 em apuração, com cinco mortes suspeitas, uma delas já confirmada na capital. Em Pernambuco, três casos suspeitos foram identificados, resultando em duas mortes.

Onde está o perigo

Um dos estabelecimentos interditados foi o Bar Ministrão, nos Jardins, em São Paulo. O proprietário, Zé Rodrigues, foi conduzido à delegacia após a Vigilância Sanitária constatar que bebidas foram compradas de vendedores de rua, sem nota fiscal.

Rodrigues admitiu a aquisição, mas negou que soubesse da falsificação. O caso ilustra uma cadeia criminosa que atinge tanto os consumidores quanto os próprios bares, muitas vezes enganados por distribuidores informais.

As bebidas mais visadas pela adulteração são vodca, gin e whisky. Em um dos episódios mais graves, um jovem consumiu gin importado adulterado em uma adega da zona Sul de São Paulo. Ele e três amigos precisaram ser hospitalizados; exames confirmaram a presença de metanol.

Operações e números alarmantes

Nos últimos dias, operações policiais resultaram em grandes apreensões: mais de 800 garrafas sem procedência foram encontradas em São Paulo, e em Americana, uma fábrica clandestina foi desmantelada com quase 18 mil produtos falsificados.

O problema, no entanto, vai muito além de casos isolados. Pesquisa da Fhoresp mostra que 36% das bebidas comercializadas no Brasil têm algum tipo de fraude, falsificação ou contrabando.

O veneno invisível

O metanol é inodoro e incolor, o que o torna impossível de ser identificado visualmente ou pelo paladar em bebidas adulteradas. Pequenas doses já podem ser fatais. Os primeiros sintomas confundem: tontura, náuseas, dor abdominal, sonolência e confusão mental, facilmente atribuídos a uma ressaca.

Mas o perigo maior costuma aparecer entre 6 e 24 horas após o consumo: cegueira, convulsões, coma, insuficiência renal e até a morte. Um dos amigos do jovem intoxicado em São Paulo chegou a ter cegueira temporária.

Como se proteger

Diante do risco, o Ministério da Justiça e Segurança Pública recomenda:

  • Comprar apenas de fornecedores confiáveis e exigir nota fiscal.
  • Evitar preços muito abaixo do mercado, especialmente de distribuidores informais.
  • Redobrar atenção a lacres, rótulos e embalagens suspeitas.
  • Isolar imediatamente qualquer lote de bebidas suspeitas.
  • Procurar atendimento médico urgente em casos de sintomas como visão turva, náuseas ou dor de cabeça intensa.

O ministro Ricardo Lewandowski determinou que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar a rede de distribuição. A lei prevê até 12 anos de prisão para crimes de adulteração de bebidas, mesmo quando o comerciante não souber da fraude.

A lição que fica

O escândalo do metanol é um choque de realidade: mostra o quanto a falsificação de bebidas é mais próxima e perigosa do que se imagina. Mais do que uma questão policial, é uma ameaça direta à saúde pública.

Diante de tragédias que poderiam ter sido evitadas, o alerta é claro: cada garrafa suspeita pode esconder riscos irreversíveis. Proteger-se é, acima de tudo, um ato de sobrevivência.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Governo SP

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