Lideranças bolsonaristas buscam orientação jurídica e avaliam pressão política pela anistia.
A segunda-feira (24) amanheceu pesada para o núcleo político mais próximo de Jair Bolsonaro. Ainda tentando entender os desdobramentos da prisão do ex-presidente, aliados se movimentam em diferentes frentes para alinhar estratégias jurídicas e políticas e, claro, tentar conter o desgaste que se espalha pelo campo bolsonarista.
Relatos de bastidores apontam que Michelle Bolsonaro está emocionalmente abalada com a prisão do marido e quer se aprofundar nos detalhes do processo antes de se pronunciar publicamente. A ex-primeira-dama deverá se reunir com advogados e aliados para compreender o cenário jurídico e articular os próximos passos.
Reunião no PL define tom da reação
Nesta segunda-feira, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, convocou uma reunião na sede do partido para discutir a estratégia tanto no campo jurídico quanto no político. A orientação geral deve ser a de reforçar o discurso de que Bolsonaro é vítima de perseguição e manter o ex-presidente em destaque nas redes sociais e na base de militantes.
A CNN já havia antecipado que parlamentares foram instruídos a concentrar a comunicação pública na figura de Michelle e na de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), considerado outro porta-voz capaz de mobilizar a base bolsonarista.
Anistia entra em debate
Outro ponto central da discussão é o destino do chamado PL da Anistia, que segue em compasso de espera na Câmara. A bancada do partido foi convocada para avaliar se vale acelerar a pressão pela aprovação do texto que, para lideranças do PL, ganhou “urgência” após a prisão.
O relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP) pediu ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que coloque para votação ainda nesta semana o texto sobre dosimetria de penas. A ideia de parte da oposição é usar o caso Bolsonaro como um “fato novo” para apressar a análise, independentemente do resultado final.
PL admite dificuldades
Nos bastidores, integrantes do partido reconhecem que não têm votos suficientes hoje para aprovar a Anistia como desejado. Por isso, uma alternativa já está posta: aceitar a votação da dosimetria e, no plenário, apresentar um destaque para tentar livrar Bolsonaro da execução da pena.
Um movimento de urgência e sobrevivência política
No ambiente político, não há silêncio, há reação. A prisão de Jair Bolsonaro mexe com a estrutura emocional, institucional e estratégica do bolsonarismo. Michelle e Valdemar assumem protagonismo porque sabem que esse capítulo não se encerra na cela da PF, mas na construção narrativa que será feita daqui para frente.
Enquanto aliados tentam reorganizar forças e buscar apoio, o país acompanha um momento de tensão que ultrapassa o destino de um ex-presidente. Ele também expõe como, no jogo do poder, cada decisão, cada voto e cada palavra pode significar muito mais do que um posicionamento; pode representar sobrevivência política.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo













