Anúncio feito pelo governador do Rio enquanto os presos ainda estavam em transporte provocou reação do Ministério da Justiça, que viu risco à segurança da operação.
A transferência de sete líderes do Comando Vermelho para presídios federais, uma operação considerada de alto risco, acabou gerando um novo embate entre o governo do Rio de Janeiro e o Ministério da Justiça. O motivo foi a divulgação antecipada da ação feita pelo governador Cláudio Castro (PL) em suas redes sociais, enquanto os detentos ainda estavam sendo escoltados para o aeroporto do Galeão.
Críticas do Ministério da Justiça
O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, classificou a atitude como “inusitada” e alertou que esse tipo de exposição compromete a segurança tanto dos agentes quanto dos próprios presos.
“Além de tudo, compromete os protocolos de segurança, a escolta e o custodiado. Desde sempre realizamos inúmeras escoltas e nunca houve divulgação prévia, porque os estados sabem que não podem fazer esse tipo de divulgação”, afirmou Garcia à CNN Brasil.
Ele destacou que a norma de sigilo faz parte do protocolo do Sistema Penitenciário Federal, justamente para evitar tentativas de resgate de integrantes de facções criminosas. “É uma obviedade não divulgar antes do processo estar concluído”, reforçou.
Reação do governador
De Brasília, onde cumpria agenda no Congresso Nacional, Cláudio Castro rebateu as críticas e afirmou que o Ministério da Justiça deveria ter se antecipado com orientações formais. “Tinha que orientar antes de criticar. Não orienta e depois critica, parece que é má vontade”, disse o governador.
A postagem feita por Castro, às 10h46 da manhã, informava que os sete chefes do Comando Vermelho estavam sendo transferidos para presídios federais. No entanto, segundo o Ministério, os agentes da Polícia Penal Federal só chegaram ao Rio por volta de 12h30 para dar início ao transporte aéreo, o que, na avaliação da pasta, expôs a operação a riscos desnecessários.
Operação de alto risco
A transferência envolveu aeronave da Polícia Federal e forte esquema de segurança, com cordão de policiais penais federais em volta do avião e dos presos, que foram levados algemados, nas mãos e pernas e de cabeça baixa.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN













