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Ministros avaliam que Fux expôs colegas a ataques e sanções

Voto do magistrado causa surpresa no STF e abre espaço para novas pressões externas e ataques do bolsonarismo.

O voto do ministro Luiz Fux na ação da trama golpista caiu como uma surpresa amarga dentro do Supremo Tribunal Federal (STF). Para alguns de seus pares, a decisão não apenas expôs contradições em relação a posicionamentos anteriores do próprio magistrado, mas também deixou colegas vulneráveis a sanções internacionais e a ataques ainda mais agressivos por parte do bolsonarismo.

Entre ministros, a sensação é de que Fux “jogou os colegas aos leões”, ao minimizar as articulações que buscavam abolir o Estado Democrático de Direito e ao absolver o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), principal beneficiado do plano.

Contradições e incredulidade

Nos bastidores da Corte, a reação foi de espanto. Magistrados lembraram que o próprio Fux votou pela condenação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, pelo crime de abolição do Estado Democrático de Direito. Para eles, soa contraditório condenar o subordinado e, ao mesmo tempo, absolver aquele a quem ele obedecia.

Segundo fontes, era esperado que o ministro pudesse divergir em alguns pontos, especialmente na dosimetria da pena. O que não se imaginava era que sua fala relativizasse o peso da trama golpista, chegando a chamá-la de “bravatas”, expressão que fragiliza a unidade da Corte diante de um dos episódios mais graves da história recente do país.

Repercussões dentro e fora da Corte

Enquanto apoiadores de Bolsonaro comemoraram o voto nas redes sociais, exaltando que Fux “honra a toga”, um colega ironizou dizendo que ele, na verdade, “honra a manutenção do visto” para os Estados Unidos, já que teria evitado sanções internacionais como as impostas por Donald Trump a outros magistrados brasileiros.

Um ministro lembrou ainda a postura de Fux na última terça-feira (9), quando deixou claro que não aceitaria ser interrompido. Para ele, essa atitude foi uma forma de blindar seu voto contra possíveis contestações ou contrapontos imediatos.

Apesar da surpresa, há quem veja um ponto positivo na divergência: ela enfraquece a narrativa bolsonarista de que o julgamento na Primeira Turma do STF seria “um jogo de cartas marcadas”. Ainda assim, a avaliação geral é de que o voto abre novas frentes de desgaste para a Corte.

Divergir também faz parte do jogo

Outro ministro, em tom mais conciliador, ressaltou que divergências fazem parte da natureza de qualquer colegiado e que é legítimo que um magistrado mude de posição ao longo de sua trajetória. Mesmo assim, o impacto do voto de Fux permanece como um divisor de águas no julgamento.

No fundo, o episódio reacende um alerta: quando o Supremo se mostra dividido em um tema tão grave, as consequências vão além do processo em si. Trata-se da percepção pública de uma democracia ainda em disputa. No silêncio que fica após cada voto, ecoa a pergunta que inquieta ministros e sociedade: até onde as instituições resistem quando a própria unidade é colocada em xeque?

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto:Divulgação/CNN

Reportagem: CNN Brasil

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