Home / Politica / Moraes aponta 13 atos que revelariam plano golpista de organização criminosa

Moraes aponta 13 atos que revelariam plano golpista de organização criminosa

Ministro do STF destacou episódios que, segundo ele, ligam Bolsonaro e aliados a um esquema para derrubar a democracia.

No primeiro voto do julgamento que pode levar Jair Bolsonaro e seus principais aliados à condenação, o ministro Alexandre de Moraes trouxe à tona uma narrativa dura e detalhada: a de que o país teria sido alvo de uma organização criminosa, liderada pelo ex-presidente, com a missão de preparar um golpe de Estado.

Em sua fala nesta terça-feira (9), Moraes apresentou uma linha do tempo com 13 atos ocorridos entre junho de 2021 e 8 de janeiro de 2023, que, em sua avaliação, demonstram a estrutura hierarquizada, a divisão de tarefas e a permanência do grupo.

O que Moraes destacou

Segundo o ministro, a articulação criminosa se mostrou em diferentes momentos: das lives e discursos contra a Justiça Eleitoral à utilização de órgãos públicos e forças de segurança; da reunião com embaixadores ao uso da PRF no segundo turno; da elaboração da chamada “minuta do golpe” às operações secretas com nomes sugestivos como “Punhal Verde e Amarelo” e “Operação Luneta”.

O ápice dessa escalada, afirmou Moraes, foi a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 e, depois, a criação de um “gabinete de crise” para administrar a situação. Para ele, todos esses episódios formam um mosaico que revela a tentativa de destruir o Estado Democrático de Direito.

Quem está no banco dos réus

Além de Jair Bolsonaro, integram o núcleo 1 do inquérito nomes de peso do seu governo e de sua campanha: Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.

Todos respondem por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado por violência e deterioração de patrimônio tombado. Ramagem, por decisão da Câmara, responde apenas a parte dessas acusações.

Como será o julgamento

O cronograma prevê quatro dias de sessões nesta semana, com votações que seguirão a ordem dos ministros da Primeira Turma: depois de Moraes, será a vez de Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

A decisão poderá selar não apenas o destino jurídico dos réus, mas também marcar um dos julgamentos mais históricos da democracia brasileira desde a redemocratização.

Um julgamento para a história

Mais do que um processo judicial, o que está em curso é um teste de resistência institucional. O STF julga não apenas homens poderosos, mas a própria linha que separa a política da ruptura democrática. O país, ferido pelos eventos de 8 de janeiro, acompanha com expectativa se a Justiça dará uma resposta firme o bastante para cicatrizar a ferida, ou se novas rachaduras ainda podem surgir.

Acompanhe o julgamento ao vivo:

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Poder360

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *