Ministro do STF detalha atos, ameaças e estratégias do ex-presidente para impedir posse e questionar urnas, ressaltando risco à democracia.
Em um julgamento que carrega o peso da história do país, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta terça-feira (9) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) liderou uma organização criminosa que tentou frustrar os resultados das eleições de 2022 e impedir a posse do presidente e do vice-presidente eleitos. Para Moraes, o Brasil esteve próximo de reviver um passado autoritário, quando uma liderança política se recusa a aceitar a alternância de poder.
Nota criminosa e tentativa de impedir posse
Segundo o ministro, Bolsonaro determinou ao ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, que emitisse uma nota considerada “criminosa” logo após a eleição, com o objetivo de manter acesa a narrativa de fraude e impedir a posse da chapa vencedora. Moraes ressaltou que Nogueira ajudou na elaboração da chamada “minuta do golpe”, apresentada aos comandantes das Forças Armadas. A defesa do militar argumenta que ele teria tentado demover Bolsonaro de qualquer medida de exceção.
Partido Liberal questionou urnas com má-fé
Moraes também criticou o PL, que questionou a validade das urnas apenas no segundo turno das eleições de 2022, ignorando que se tratava do mesmo sistema usado no primeiro turno. “Não é possível pedir que se anulem apenas os votos do 2° turno se essas urnas são as mesmas do 1° turno. Houve má-fé, e por isso o partido foi multado”, disse o ministro, apontando a estratégia como uma tentativa deliberada de deslegitimar o processo eleitoral.
País quase voltou à ditadura
O ministro alertou que, caso a organização criminosa liderada por Bolsonaro tivesse sucesso, o Brasil poderia ter retornado a um período de autoritarismo. “Estamos esquecendo aos poucos que o país quase voltou a uma ditadura que durou 20 anos, porque um grupo político não sabe perder eleições. Quem perde deve virar oposição e disputar as próximas eleições; quem ganha, assume e mantém o poder pelo voto popular”, destacou Moraes.
O julgamento, que pode condenar Bolsonaro e outros sete réus do chamado “núcleo 1”, segue até sexta-feira. Entre os crimes pelos quais o ex-presidente pode ser responsabilizado estão organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, com pena máxima potencial de até 43 anos.
Este julgamento não é apenas sobre um homem ou um partido; é sobre a força da democracia, sobre os limites do poder e sobre a responsabilidade de todos em proteger o país de ameaças que desafiam a Constituição e a confiança do povo nas instituições.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/STF













