PGR também foi alvo, diz ministro do STF; investigação expõe fragilidade no sigilo fiscal e acende alerta sobre proteção de informações sensíveis.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, divulgou os nomes de quatro servidores da Receita Federal investigados por suposto vazamento de dados fiscais sigilosos de autoridades, incluindo integrantes do próprio STF e da Procuradoria-Geral da República. Segundo o ministro, a PGR também foi alvo de acessos considerados irregulares, o que ampliou o alcance e a gravidade da apuração conduzida pela Polícia Federal.
Este episódio revela como a confiança nas instituições; em especial naqueles que deveriam preservar o sigilo fiscal e a privacidade, está sendo questionada em um momento em que a transparência pública é urgente.
Quatro servidores sob suspeita
Nesta terça-feira (17), o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do STF, tornou públicos os nomes de quatro servidores da Receita Federal que estão sendo investigados pela Polícia Federal por suposto vazamento de dados sigilosos. A apuração foi motivada por uma representação da própria Procuradoria-Geral da República, que também teve seus dados acessados indevidamente.
Os investigados que podem ter violado o sigilo funcional são:
• Luiz Antônio Martins Nunes
• Luciano Pery Santos Nascimento
• Ruth Machado dos Santos
• Ricardo Mansano de Moraes 
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão nesta manhã, e contra eles foram impostas uma série de medidas cautelares, como a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, proibição de saída do país e uso de tornozeleira eletrônica.
Investigação sob o olhar da lei
De acordo com a nota do ministro Moraes, documentos analisados pela equipe da Receita mostraram “diversos e múltiplos acessos ilegais” ao sistema que não possuem justificativa funcional. A Procuradoria-Geral da República afirmou que esses acessos iniciais apresentam indícios do crime de violação de sigilo funcional: previsto no artigo 325 do Código Penal e que o caso pode compreender outras infrações.
Esse tipo de violação, se confirmado, vai além de um problema isolado: traz à tona o uso indevido de poder de acesso a dados confidenciais e a possível instrumentalização dessas informações fora do contexto legal e sem controle judicial.
O que está em jogo
A investigação, que tramita no STF como desdobramento de um inquérito mais amplo, demonstra a magnitude do desafio de proteger dados públicos em um país onde sistemas digitais concentram informações pessoais e profissionais. A própria inclusão de parentes de autoridades, conforme apurado pela imprensa, aumenta a gravidade das suspeitas.
O sigilo fiscal é um pilar de segurança individual e institucional e quando ele é rompido de dentro, por quem deveria zelá-lo, a confiança nas estruturas do Estado é profundamente abalada.
No fim das contas, mais do que nomes e procedimentos, esta história nos chama a refletir sobre a importância de instituições sólidas e transparentes, que protejam dados pessoais e garantam que ninguém, seja cidadão comum ou autoridade pública, fique vulnerável a acessos indevidos. É um lembrete de que a democracia saudável depende da integridade das regras e da responsabilidade daqueles que as aplicam, e que nós, enquanto sociedade, precisamos acompanhar de perto cada capítulo dessa investigação.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Rosinei Coutinho/STF













