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Moraes pede que Bolsonaro informe se deseja conceder entrevistas à imprensa

Decisão ocorre após pedidos de veículos de comunicação para ouvir o ex-presidente enquanto ele cumpre pena na sede da Polícia Federal.

Mesmo atrás das grades, Jair Bolsonaro continua no centro do debate político e institucional do país. Nesta terça-feira (2), uma nova decisão do ministro Alexandre de Moraes voltou a colocar o ex-presidente nos holofotes, ao determinar que ele informe oficialmente se deseja ou não conceder entrevistas à imprensa durante o período em que permanece preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

A medida foi tomada após um pedido de autorização feito por veículos de comunicação que buscam ouvir Bolsonaro mesmo após a condenação no processo que apurou a trama golpista. O primeiro requerimento partiu do portal Conexão Política, apenas um dia após a prisão do ex-presidente, em 26 de novembro, solicitando permissão para a realização de entrevista jornalística.

Defesa terá prazo para informar decisão ao STF

Na decisão, Moraes determinou que os advogados de Jair Bolsonaro sejam oficialmente intimados, inclusive por meios eletrônicos, para informar ao Supremo, no prazo de cinco dias, se o réu tem ou não interesse em conceder entrevistas. O ministro também encaminhou comunicado a outros portais que já haviam feito solicitações semelhantes, entre eles o Metrópoles.

Caso haja concordância por parte da defesa, eventuais entrevistas poderão ser gravadas em formato audiovisual, desde que sejam estabelecidos protocolos específicos para esse contato. Após isso, caberá ao próprio STF avaliar e autorizar ou não a realização das entrevistas.

Antes de ser transferido para a Superintendência da PF, Bolsonaro já havia sido alvo de restrições severas impostas por Moraes durante o período em que cumpria prisão domiciliar por descumprimento de medidas cautelares. Na ocasião, ele foi proibido de usar redes sociais, inclusive por meio de transmissões, retransmissões ou divulgação de entrevistas por terceiros. A decisão teve como um dos fundamentos a participação indireta do ex-presidente em uma manifestação política, após uma ligação do deputado Nikolas Ferreira.

Agora, com o trânsito em julgado do processo envolvendo o núcleo central da trama golpista, Bolsonaro seguirá preso na Superintendência da Polícia Federal. Na sentença, ele foi apontado como líder da organização criminosa que tentou mantê-lo no poder após as eleições de 2022.

Entre o silêncio imposto pela prisão e a expectativa de possíveis declarações públicas, o país vive mais um capítulo delicado da sua história recente. A dúvida que permanece é se Bolsonaro voltará a falar diretamente ao Brasil ou se seguirá se comunicando apenas por meio de aliados e familiares. Em tempos tão polarizados, cada palavra, cada silêncio e cada decisão carregam um peso que vai muito além dos muros da prisão.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Metrópoles

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