Home / Politica / Moraes vota por condenar Bolsonaro e aliados por trama golpista

Moraes vota por condenar Bolsonaro e aliados por trama golpista

Ministro do STF afirma que ex-presidente liderou organização criminosa que tentou impedir posse de Lula e quase levou o Brasil de volta à ditadura.

O Supremo Tribunal Federal viveu, nesta terça-feira (9), um dos momentos mais marcantes da história recente do país. Em voto longo e contundente, o ministro Alexandre de Moraes pediu a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete aliados por envolvimento em uma trama golpista que, segundo ele, colocou em risco a própria democracia brasileira e quase levou o país de volta à sombra de uma ditadura.

Relator da ação, Moraes pediu a condenação do ex-presidente por cinco crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR): abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Segundo Moraes, Bolsonaro exerceu papel de liderança na organização criminosa, utilizando a estrutura do governo federal e das Forças Armadas para implementar um projeto autoritário de poder.

“O líder do grupo criminoso deixa claro aqui, em viva voz, de forma pública para toda a sociedade, que jamais aceitaria uma derrota democrática nas eleições, que jamais aceitaria ou cumpriria a vontade popular”, disse o ministro, citando declarações de Bolsonaro em lives nas quais o ex-presidente afirmava que “só sairia morto, preso ou vitorioso”.

Réus e crimes

Além de Bolsonaro, Moraes votou pela condenação de:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor-geral da Abin;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice em 2022.

No caso de Ramagem, Moraes destacou que a Câmara suspendeu parte das acusações, mas ainda assim votou pela condenação dele por golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada.

Minuta do golpe

O relator também se referiu ao documento encontrado na casa de Anderson Torres, em janeiro de 2023. Moraes criticou duramente a postura do ex-ministro.

“O ministro da Justiça que recebe a minuta de golpe, rasga e decreta prisão de quem apresentou, não leva para casa”, afirmou.

Para a PGR, Torres deu suporte jurídico às medidas golpistas e participou da disseminação de ataques contra o sistema eleitoral. A defesa, no entanto, diz que o documento era apenas uma minuta “apócrifa”, sem validade jurídica.

Estratégia e provas

No voto, que durou cerca de cinco horas e foi apresentado com quase 70 slides, Moraes traçou a linha do tempo das ações do grupo entre julho de 2021 e 8 de janeiro de 2023. Ele destacou:

  • As lives de Bolsonaro como estratégia para atacar o sistema eleitoral e o STF;
  • Reuniões ministeriais com conteúdo golpista, como a de julho de 2022, que buscava adesão das Forças Armadas;
  • O plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato de Lula e Alckmin, com cópias impressas dentro do Palácio do Planalto;
  • Os acampamentos em frente a quartéis como parte fundamental da tentativa de golpe, financiados e organizados para pressionar contra a posse do governo eleito.

“Nós estamos esquecendo aos poucos que o Brasil quase voltou a uma ditadura que durou 20 anos, porque uma organização criminosa, liderada por Jair Bolsonaro, não sabe perder eleições”, disse o ministro.

Julgamento em andamento

O julgamento terá sequência ao longo da semana. Após Moraes, votam Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. A condenação depende da maioria de três votos. As penas, no entanto, só serão definidas ao final da análise do processo.

Quadro-resumo: Crimes atribuídos aos réus do núcleo 1

Jair Bolsonaro (ex-presidente)

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave
  • Deterioração de patrimônio tombado

Alexandre Ramagem (deputado e ex-diretor da Abin)

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
    (A Câmara suspendeu a tramitação de outros crimes contra ele)

Almir Garnier (ex-comandante da Marinha)

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave
  • Deterioração de patrimônio tombado

Anderson Torres (ex-ministro da Justiça)

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave
  • Deterioração de patrimônio tombado

Augusto Heleno (ex-ministro do GSI)

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave
  • Deterioração de patrimônio tombado

Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro)

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave
  • Deterioração de patrimônio tombado

Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa)

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave
  • Deterioração de patrimônio tombado

Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa e candidato a vice em 2022)

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave
  • Deterioração de patrimônio tombado

Confira aqui mais notícias sobre o julgamento

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Info Money

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *