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Morre Raul Jungmann, ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública, aos 73 anos

Ex-deputado e ex-ministro enfrentava câncer no pâncreas; trajetória marcada pela defesa da democracia e do serviço público.

A política brasileira amanheceu mais silenciosa neste domingo (18). Morreu, em Brasília, Raul Jungmann, um homem público que atravessou diferentes governos, crises e transições institucionais sempre com a marca do diálogo e do compromisso com o Estado democrático. Aos 73 anos, ele se despede após uma longa batalha contra um câncer no pâncreas, deixando uma trajetória que se confunde com momentos centrais da história recente do país.

Jungmann morreu no Hospital DF Star, onde estava internado e em tratamento. Ao longo de décadas de vida pública, ocupou cargos estratégicos e se tornou uma referência na condução de temas sensíveis como defesa, segurança pública e reforma agrária, sempre reconhecido pela postura técnica e pela capacidade de articulação.

Passagem por ministérios e atuação no Congresso

Raul Jungmann foi ministro da Defesa entre 2016 e 2018 e, no último ano do governo Michel Temer, assumiu também o Ministério da Segurança Pública. Antes disso, chefiou o Ministério do Desenvolvimento Agrário entre 1999 e 2002, durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso.

Natural de Pernambuco, construiu uma carreira política sólida no Legislativo. Foi deputado federal pelo estado em diferentes mandatos, além de vereador do Recife. Sua atuação no Congresso foi marcada por debates institucionais, defesa da legalidade e envolvimento direto em pautas estruturantes para o país.

Reconhecimento e homenagens

Em nota, o ex-presidente Michel Temer lamentou a morte do ex-ministro e destacou sua dedicação ao Brasil. Segundo Temer, Jungmann foi “um brasileiro que soube servir ao país” e deixou sua marca por onde passou, tanto no Executivo quanto no Parlamento.

As manifestações de pesar se multiplicaram ao longo do dia, vindas de diferentes espectros políticos, refletindo o respeito construído ao longo de sua trajetória pública.

Nota do STF e legado democrático

O Supremo Tribunal Federal também divulgou nota oficial lamentando a morte de Raul Jungmann. Em nome da Corte, o ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente no exercício da Presidência, destacou Jungmann como “um grande democrata” e exemplo de homem público.

Na mensagem, Moraes ressaltou a atuação de Jungmann em diversos cargos, sempre pautada pela competência, lealdade e eficiência. O ministro relembrou ainda o trabalho conjunto durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, quando ambos atuaram na coordenação das áreas de inteligência e segurança do evento.

A morte de Raul Jungmann encerra um capítulo de uma geração de políticos moldados pelo diálogo institucional e pelo respeito às regras democráticas. Em tempos de radicalização e ruídos constantes, sua trajetória deixa uma reflexão inevitável: a política também pode ser exercício de responsabilidade, equilíbrio e serviço ao país. É esse legado silencioso, mas profundo, que permanece.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo

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