Sete dias após o crime que chocou Porto Velho e o país, autoridades revelam indícios de violência prolongada e omissão por parte de familiares.
Sete dias depois da morte da adolescente Marta Isabelle, de 16 anos, o silêncio deu lugar a revelações duras e perturbadoras. Em coletiva de imprensa, realizada nesta terça-feira (03), a Polícia Civil de Rondônia apresentou novos detalhes sobre o caso que abalou Porto Velho e ganhou repercussão nacional.
A delegada Leisaloma Carvalho e o delegado-geral adjunto, Claudionor Muniz, conduziram a coletiva e expuseram os principais desdobramentos da investigação. Os três principais suspeitos: o pai, a madrasta e a avó da jovem, permanecem presos preventivamente.
Segundo a delegada, Marta ainda chegou a tentar se socorrer em meio ao cenário de violência que, conforme apontam as apurações, já se estendia por meses. A linha investigativa trabalha com a hipótese de que a adolescente foi submetida a agressões físicas constantes, negligência e condições degradantes dentro da própria casa.
Denúncia anterior e audiência marcada
Um dos pontos que mais chamam atenção no inquérito é que as agressões já haviam sido denunciadas anteriormente. De acordo com a Polícia Civil, a filha da madrasta teria comunicado às autoridades os maus-tratos sofridos por Marta. O processo tramitava na Justiça e havia uma audiência marcada para o mês de maio, quando a adolescente seria ouvida oficialmente.
Ela, no entanto, morreu antes de ter a chance de falar diante de um juiz.
Durante a coletiva, a delegada confirmou que a investigação apura se a morte tem relação direta com o processo judicial em andamento. Também foram realizadas oitivas com a adolescente que havia feito a denúncia, além de outras testemunhas próximas à família.
Cenário de violência prolongada
Marta Isabelle foi encontrada deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável. O corpo apresentava sinais severos de desnutrição, ferimentos e indícios de imobilização prolongada.
A perícia apontou um quadro compatível com abandono e privação de cuidados básicos. Segundo a delegada, trata-se de uma morte lenta e dolorosa, resultado de um contexto de violência contínua.
Informações preliminares indicam que a adolescente vivia sob forte controle, sem contato frequente com outras pessoas e em situação de isolamento. A investigação busca esclarecer por quanto tempo ela teria permanecido nessas condições.
Investigação segue em andamento
Os suspeitos seguem presos à disposição da Justiça. A Polícia Civil informou que continua reunindo provas técnicas, aguardando laudos periciais conclusivos e ouvindo testemunhas para fechar o inquérito dentro do prazo legal.
O caso reacende discussões sobre violência doméstica contra crianças e adolescentes, falhas na rede de proteção e a importância da denúncia. Para os investigadores, o objetivo agora é garantir que todos os responsáveis sejam devidamente responsabilizados.
A morte de Marta Isabelle deixa uma marca profunda na cidade e um alerta que ecoa muito além dela: um sentimento de dor e revolta que causa em todos; quem deveria cuidar e proteger, passam a serem atores principais da violência silenciosa, que ecoou dentro de um lar e chocou o país.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução/Cristiano Araújo – Rema TV













