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MP pede suspensão de salário de Marco Buzzi após denúncias de importunação sexual

Subprocurador do MPTCU solicita ao TCU que atue junto ao STJ para interromper pagamentos durante afastamento cautelar.

Quando denúncias atingem um integrante da mais alta cúpula do Judiciário, o impacto vai além do caso individual. Ele reverbera na confiança pública, na credibilidade das instituições e na sensação de justiça da sociedade. É nesse cenário delicado que o subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, Lucas Rocha Furtado, pediu a suspensão imediata da remuneração do ministro Marco Buzzi, afastado do cargo após acusações de importunação sexual feitas por duas mulheres.

A solicitação foi encaminhada ao Tribunal de Contas da União para que a Corte atue junto ao Superior Tribunal de Justiça e sustente a interrupção de qualquer pagamento enquanto durar o afastamento preventivo.

Pedido de medida cautelar

Na petição, Furtado pede a adoção de medida cautelar, argumentando que a gravidade das acusações exige a preservação dos princípios constitucionais da moralidade, eficiência e economicidade. Ele também solicita que o TCU apure os valores já pagos ao ministro desde o início do afastamento, com possibilidade de eventual devolução aos cofres públicos, caso seja constatada irregularidade.

Segundo o subprocurador, permitir que um magistrado acusado de condutas dessa natureza continue recebendo remuneração integral custeada pelos contribuintes seria um desrespeito às vítimas e à sociedade.

Afastamento e investigação interna

Na última terça-feira (10), o STJ determinou o afastamento cautelar de Buzzi após as denúncias virem a público. O ministro responde a uma sindicância interna aberta na semana passada. Durante o período de afastamento, ele está impedido de acessar o gabinete, utilizar carro oficial ou exercer prerrogativas do cargo. O salário, porém, continuaria sendo pago, já que não houve exoneração nem condenação definitiva.

Uma das denúncias foi comunicada ao Conselho Nacional de Justiça, onde a suposta vítima prestou depoimento à Corregedoria Nacional de Justiça, conduzida pelo ministro Mauro Campbell. O caso passou a ser tratado como assédio em razão da relação hierárquica entre o magistrado e a denunciante.

Valores recebidos e repercussão

De acordo com dados do Portal da Transparência, Marco Buzzi recebeu R$ 616.998,93 nos últimos quatro meses de 2025. No total, foram R$ 1.197.241,36 ao longo do ano passado. Os vencimentos incluem salário-base atual de R$ 44.047,88, além de vantagens pessoais e gratificações que, em alguns meses, elevaram significativamente a remuneração.

As denúncias envolvem episódios distintos. O primeiro teria ocorrido em janeiro, em Balneário Camboriú (SC), quando uma jovem de 18 anos relatou que o ministro tentou agarrá-la durante um momento de lazer. O segundo caso envolve uma servidora terceirizada subordinada ao gabinete do magistrado.

Em meio aos números, às petições e aos ritos processuais, o que permanece é uma pergunta que ecoa na sociedade: como equilibrar o direito à ampla defesa com a responsabilidade ética de quem ocupa um dos cargos mais altos do Judiciário? Mais do que um debate jurídico, o caso reacende a reflexão sobre poder, responsabilidade e respeito: valores que deveriam ser inegociáveis dentro e fora dos tribunais.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Emerson Leal/STJ

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