Reunião em Porto Velho aponta sobrecarga nas corporações, limitações orçamentárias e necessidade urgente de planejamento para recompor efetivo.
Quando falta policial na rua, investigador na delegacia ou agente no sistema prisional, quem sente primeiro é a população. A sensação de insegurança cresce, os atendimentos demoram e os profissionais que permanecem na linha de frente trabalham no limite. Foi nesse contexto que o Ministério Público de Rondônia e o Tribunal de Contas do Estado se reuniram para discutir um problema que já não pode mais ser adiado: o déficit de servidores nas forças de segurança do Estado.
Na segunda-feira (2), o coordenador do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública do Ministério Público de Rondônia, promotor de Justiça Pablo Hernandez Viscardi, esteve com o conselheiro-substituto Francisco Júnior Ferreira da Silva, do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia, em Porto Velho. Na pauta, números, limitações orçamentárias e, principalmente, alternativas para recompor o efetivo sem comprometer o equilíbrio fiscal do Estado.
Déficit nas corporações e impacto direto no atendimento
Durante a reunião, foram analisadas as dificuldades enfrentadas pelas Polícias Civil, Militar, Penal e pela Polícia Técnico-Científica. A constatação é clara: há menos servidores do que o necessário para atender à demanda crescente da população.
O déficit significa equipes reduzidas, jornadas sobrecarregadas e acúmulo de funções. Na prática, isso se traduz em investigações que demoram mais do que deveriam, atendimento mais lento nas delegacias e pressão constante sobre quem está na linha de frente.
Os representantes discutiram a recomposição gradual do quadro, com planejamento estratégico. A ideia é evitar contratações abruptas que possam gerar impacto imediato nas contas públicas e comprometer a responsabilidade fiscal.
Concurso público e academia de formação
No caso da Polícia Civil, um dos pontos centrais foi a realização da academia de formação, etapa indispensável para que novos aprovados possam assumir suas funções. Também entrou em debate o aproveitamento de concurso público ainda vigente, que permanece dentro do prazo legal para convocações.
A avaliação é que o Estado precisa agir com rapidez, mas também com organização, garantindo que as convocações estejam alinhadas à capacidade orçamentária e às prioridades da gestão.
Sistema penitenciário em alerta
Outro foco da reunião foi a situação da Secretaria de Estado da Justiça de Rondônia. O sistema prisional também enfrenta déficit de servidores, o que impacta diretamente a segurança interna das unidades e as condições de trabalho dos policiais penais.
Entre os pontos discutidos estão a realização de novo concurso público e a necessidade de ajustar o modelo de gestão de pessoal à realidade do sistema carcerário, que exige vigilância constante, controle e estrutura adequada.
Próximos passos e planejamento no PPA
Como encaminhamento, ficou definida a continuidade do diálogo institucional. Uma nova reunião deve ocorrer com a relatoria responsável pela Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania de Rondônia para aprofundar a análise técnica e estrutural do problema.
Entre as possibilidades está a inclusão das medidas no Plano Plurianual, instrumento que define prioridades e investimentos do governo para um período de quatro anos.
Mais do que números em uma planilha, a discussão envolve vidas, proteção e a confiança da população no Estado. Planejar a recomposição do efetivo é, acima de tudo, garantir que quem protege também tenha condições dignas de trabalho e que o cidadão não fique à espera quando mais precisar.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Gerência de Comunicação Integrada (GCI)













