Prefeitura realiza ação neste sábado para ampliar acesso ao método de longa duração pelo SUS e fortalecer o planejamento reprodutivo na capital
Planejar o futuro também é um ato de cuidado. Para muitas mulheres, decidir quando ter um filho envolve equilíbrio emocional, estabilidade financeira e sonhos que precisam de tempo para amadurecer. É com esse olhar que a Prefeitura de Porto Velho realiza neste sábado, dia 28, um mutirão para inserção do implante contraceptivo subdérmico em mulheres já cadastradas no sistema de regulação municipal.
A ação é coordenada pela Secretaria Municipal de Saude de Porto Velho e deve atender, nesta etapa, cerca de 1.700 mulheres que já aguardavam pelo procedimento. A equipe de regulação está entrando em contato diretamente com cada paciente para informar data, horário e orientações. A recomendação é simples, mas essencial: manter o número de telefone atualizado para evitar qualquer dificuldade de comunicação.
Método moderno e de alta eficácia
O implante contraceptivo é considerado um dos métodos mais eficazes disponíveis atualmente. Trata-se de uma pequena haste flexível inserida sob a pele do braço, com liberação contínua de hormônio. Sua eficácia chega a 99% e a proteção pode durar até três anos.
De acordo com diretrizes do Ministerio da Saude, o método integra as estratégias de planejamento reprodutivo no âmbito da Politica Nacional de Atencao Integral a Saude da Mulher, que busca ampliar o acesso a informações e a métodos contraceptivos seguros na rede pública.
O procedimento é rápido, realizado por profissional capacitado e precedido de avaliação médica individual. Embora seja um método de longa duração, ele é reversível. A fertilidade retorna após a retirada do implante.
O prefeito Leo Moraes destacou que o acesso gratuito representa um avanço importante. Segundo ele, o implante possui alto custo na rede particular, o que dificulta o acesso de muitas mulheres. Ao disponibilizá-lo pelo Sistema Único de Saúde, o município amplia a autonomia feminina e fortalece o cuidado com a saúde.
O secretário municipal de Saúde, Jaime Gazola, reforçou que o mutirão é uma estratégia para reduzir a fila de espera e acelerar o atendimento, garantindo que as mulheres tenham acesso ao planejamento reprodutivo de forma responsável e segura.
Autonomia e planejamento
Para a atendente Klicia Oliveira Sampaio, de 27 anos, mãe desde os 20, a oportunidade significa tranquilidade. Ela relata que a maternidade trouxe amadurecimento e também consciência sobre a importância de se organizar antes de uma nova gestação.
Segundo especialistas em saúde pública, métodos contraceptivos de longa duração são considerados estratégicos porque reduzem falhas associadas ao uso incorreto de pílulas ou esquecimentos frequentes. Além disso, contribuem para a redução de gestações não planejadas, que ainda representam parcela significativa dos casos no país.
A oferta do implante é feita de forma centralizada pelo governo federal, que adquire e distribui o insumo aos estados e municípios. A Prefeitura de Porto Velho já solicitou novas remessas ao Ministério da Saúde para garantir continuidade e ampliação do atendimento.
Como participar
O mutirão é destinado exclusivamente às mulheres que já estão inseridas na regulação municipal. Quem ainda não iniciou o processo deve procurar a Unidade Básica de Saúde de referência para cadastro e encaminhamento.
No dia do atendimento, é necessário apresentar documento oficial com foto, cartão do SUS ou CPF e comprovante de regulação. Todas as pacientes passam por avaliação médica antes da inserção, seguindo protocolos técnicos do Ministério da Saúde.
É importante reforçar que o implante contraceptivo previne a gravidez, mas não protege contra Infecções Sexualmente Transmissíveis. O uso de preservativo continua sendo fundamental na prevenção de doenças como HIV, sífilis e outras infecções, devendo fazer parte do cuidado com a saúde sexual.
No fim das contas, o mutirão vai além de um procedimento médico. Ele representa escolha, autonomia e respeito ao tempo de cada mulher. Em uma sociedade onde tantas decisões recaem sobre elas, oferecer acesso à informação e a métodos seguros é também reconhecer que planejar o amanhã é um direito. E quando o poder público facilita esse caminho, ajuda a transformar cuidado em dignidade.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Secom- PMPV













