Presidente diz que apenas recebeu homenagem da Acadêmicos de Niterói e que enredo exaltou a trajetória de sua mãe.
Em meio às reações de lideranças evangélicas e católicas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não teve qualquer participação na concepção do desfile da Acadêmicos de Niterói e que não caberia a ele interferir no conteúdo apresentado pela escola de samba.
A declaração foi dada neste domingo (22), durante entrevista coletiva em Nova Délhi, na Índia, após questionamentos sobre a ala que retratou “famílias em conserva”, interpretada por grupos religiosos como uma provocação.
“Fui apenas homenageado”
Lula ressaltou que não é carnavalesco e que não participou da elaboração do samba-enredo, dos carros alegóricos ou da construção artística do desfile. Segundo ele, sua presença esteve restrita à condição de homenageado.
O presidente afirmou que o enredo teve como eixo central a trajetória de sua mãe e que a homenagem o emocionou. Disse ainda que, ao ser procurado pela escola, cabia a ele apenas aceitar ou não a proposta.
Durante a coletiva, destacou que a música apresentada foi, sobretudo, um tributo à história de vida de sua mãe. “Foi uma pena que a minha mãe já tivesse morrido e não ouvisse a música”, declarou.
Repercussão entre religiosos
A ala que encenou “famílias em conserva” provocou críticas de segmentos evangélicos e católicos, que consideraram a representação desrespeitosa. A escola, por sua vez, defendeu a liberdade artística do desfile.
O episódio reacende o debate recorrente sobre os limites entre expressão cultural, crítica social e sensibilidade religiosa, especialmente quando figuras públicas ocupam o centro da narrativa.
Entre o brilho do carnaval e o peso das interpretações políticas e religiosas, o desfile acabou ultrapassando a avenida. Mostrou, mais uma vez, como arte, fé e poder se cruzam no espaço público brasileiro, despertando aplausos, incômodos e reflexões que vão muito além da festa.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo













