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“Não vamos nos intimidar”, diz chefe da PF ao prometer avançar em investigações bilionárias

Andrei Rodrigues afirma que Polícia Federal seguirá apurando fraudes no sistema financeiro e no INSS, mesmo sob pressão.

Em meio a investigações que alcançam cifras bilionárias e nomes de peso, a Polícia Federal decidiu subir o tom. A mensagem é direta e carrega um recado claro para dentro e fora dos bastidores do poder: não haverá recuo diante de pressões.

Nesta quarta-feira (18), o diretor-geral da Polícia Federal do Brasil, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação seguirá investigando “todos aqueles que tiver que investigar”, reforçando o compromisso com o devido processo legal e com a Constituição.

Recado direto em meio a investigações sensíveis

A declaração foi feita durante evento da Federação Brasileira de Bancos, em São Paulo, e ocorre em um momento de forte repercussão de inquéritos que envolvem fraudes no sistema financeiro e no Instituto Nacional do Seguro Social.

Sem citar diretamente alvos específicos, Rodrigues destacou que a atuação da PF é técnica e não se deixará abalar por tentativas de intimidação. Segundo ele, a instituição tem sido alvo de ataques nas redes sociais, classificados como “covardes e inaceitáveis”.

O diretor-geral ainda chamou atenção para a dimensão das investigações, mencionando fraudes que podem alcançar dezenas de bilhões de reais. “Esse é o nosso foco. Nós não vamos parar até chegar ao final”, afirmou.

Caso Master ganha prioridade e aceleração

Entre os principais focos está o caso envolvendo o banco Master, ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para acelerar as apurações, a PF enviou celulares e notebooks apreendidos para perícia em São Paulo.

Ao todo, entre 70 e 80 aparelhos ainda aguardam análise, sendo que parte deles pertence ao próprio Vorcaro. A expectativa é que a extração de dados ajude a esclarecer conexões e possíveis ramificações do esquema investigado.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi um envelope encontrado na residência do empresário, com a palavra “Congresso” escrita à mão. O material levantou suspeitas sobre eventuais vínculos com parlamentares, ampliando o alcance político das apurações.

INSS e suspeitas que chegam ao topo

Em outra frente, a investigação sobre fraudes no INSS também ganhou dimensão sensível ao envolver possíveis ligações com figuras do alto escalão.

O inquérito, que tramita no Supremo Tribunal Federal, inclui menções a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A PF apontou supostos repasses financeiros ligados ao esquema, hipótese que é negada pelos citados.

Os investigadores também analisam a atuação de Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como peça-chave no suposto esquema.

No centro dessas investigações, mais do que cifras ou nomes, está a credibilidade das instituições. Em um país marcado por ciclos de escândalos, a promessa de ir “até o fim” carrega o peso da expectativa pública. Resta saber se, desta vez, as respostas virão na mesma proporção das perguntas que inquietam o Brasil.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Senado

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