Levantamento mostra que 58% também defendem a pena de morte para crimes graves; pesquisa foi feita após operação mais letal da história do Rio.
Em meio ao clima de tensão que tomou conta do Rio de Janeiro após a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, a pesquisa Genial/Quaest revelou um retrato preocupante da opinião pública fluminense: metade da população (51%) concorda com a frase “bandido bom é bandido morto”, enquanto 42% discordam. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (3) e mostra o quanto o sentimento de insegurança ainda molda o pensamento social no estado.
Outros 2% disseram não concordar nem discordar da frase, e 5% não souberam ou preferiram não responder. A pesquisa ouviu 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 30 e 31 de outubro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Após operação letal, cresce apoio a medidas mais duras
O levantamento foi realizado poucos dias depois da operação que deixou 121 mortos; entre eles, quatro policiais, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro. A ação mirou o Comando Vermelho (CV) e reacendeu o debate sobre os limites da força policial e o impacto da violência no cotidiano da população.
Dentro desse contexto, 58% dos entrevistados afirmaram ser a favor da pena de morte para quem comete crimes graves, como assassinato. Outros 32% se disseram contrários, 4% não concordaram nem discordaram e 6% não souberam responder.
Outros temas avaliados pela Quaest
Além das percepções sobre punições, a pesquisa também abordou temas ligados à segurança pública, como o uso de câmeras corporais por policiais, o armamento da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a legalização das drogas como possível caminho para reduzir a violência.
Os resultados completos sobre esses tópicos ainda reforçam a divisão de opiniões, mas deixam clara uma tendência: parte expressiva dos fluminenses quer respostas mais firmes e rápidas diante da escalada da criminalidade.
Em meio a números que expõem medo, dor e revolta, o levantamento reacende uma reflexão urgente: até que ponto o desespero por segurança pode justificar a perda de empatia e o endurecimento das penas? O debate sobre justiça e violência no Rio continua pulsando e revela, acima de tudo, o quanto a paz ainda é um sonho distante para muitos moradores do estado.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN













