Ataque teria atingido barco ligado à gangue Tren de Aragua; operação ocorre em meio a apelo de Maduro por paz e à escalada da campanha antidrogas de Trump.
O mar do Caribe voltou a ser palco de tensão e morte. Seis pessoas foram mortas durante um bombardeio dos Estados Unidos contra um suposto navio de narcotráfico, segundo informou nesta sexta-feira (24) o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth. O episódio, o primeiro ataque noturno da atual campanha antidrogas do governo Donald Trump, reacende o clima de instabilidade na região e acende o alerta sobre o risco de uma escalada militar.
EUA ampliam ofensiva antidrogas
De acordo com Hegseth, a embarcação atingida pertencia à gangue Tren de Aragua, organização criminosa transnacional de origem venezuelana. Ele afirmou que o navio trafegava por uma rota conhecida do narcotráfico e transportava drogas quando foi interceptado em águas internacionais.
“Seis narcoterroristas estavam a bordo da embarcação durante o ataque, que foi realizado à noite. Todos morreram, e nenhuma força americana foi ferida”, declarou o secretário em publicação na rede social X (antigo Twitter).
Esse foi o décimo bombardeio americano contra embarcações suspeitas desde o início da operação, em setembro. Oito ataques ocorreram no Caribe e dois no Oceano Pacífico, resultando, até agora, em pelo menos 32 mortes. Apesar da dimensão das ações, o governo Trump não detalhou a quantidade de drogas apreendidas nem apresentou evidências concretas que sustentem as acusações de narcotráfico.
Maduro pede paz e condena ataques
Em meio à escalada das operações militares, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez um apelo enfático pela paz, durante um discurso transmitido pela televisão estatal na noite de quinta-feira (23). Em uma mistura de espanhol e inglês, o líder venezuelano disse: “Não à guerra… Sim, paz, para sempre”, ironizando ao afirmar que falava na “língua Tarzania”, uma referência curiosa a “Tarzan”.
Maduro concluiu o discurso com uma mensagem direta: “Não à guerra dos loucos, não à loucura da guerra”. O apelo acontece enquanto o governo americano estuda ampliar as ações militares e até atingir alvos em solo venezuelano, uma decisão que, segundo Trump, será comunicada previamente ao Congresso dos EUA.
O presidente venezuelano nega qualquer envolvimento com o narcotráfico e classifica os ataques americanos como violações da soberania nacional, afirmando que seu país é vítima de perseguição política e de um “bloqueio militar disfarçado de combate às drogas”.
Risco de uma nova crise internacional
O endurecimento da postura dos EUA no Caribe e as respostas inflamadas de Maduro aumentam a tensão geopolítica na América Latina. Analistas avaliam que os bombardeios, somados à retórica agressiva de ambos os lados, podem colocar a região à beira de uma nova crise diplomática e humanitária, especialmente se houver ataques em território venezuelano.
No horizonte, o mar que separa o norte da América do Sul do Caribe parece se transformar em uma linha tênue entre a luta contra o crime organizado e o perigo da guerra. Enquanto os EUA dizem agir em nome da segurança, a Venezuela pede paz e o mundo observa, em silêncio, mais uma demonstração de como o poder e a política podem se confundir com o fogo das armas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/@SecWar vaX













