Solenidade de posse reúne autoridades e marca o início de gestão de Fachin e Moraes no biênio 2025-2027, com foco em colegialidade, técnica e discrição.
O Supremo Tribunal Federal inicia hoje um novo ciclo. O ministro Edson Fachin assume a presidência da Corte, tendo Alexandre de Moraes como vice, em uma solenidade que reúne autoridades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Mais que um ato protocolar, a posse representa uma aposta em equilíbrio, diálogo e discrição para conduzir o tribunal nos próximos dois anos em meio a tensões entre política e Judiciário.
Expectativas no governo e no Congresso
O governo e a cúpula do Congresso Nacional enxergam em Fachin um magistrado de perfil sereno, capaz de conduzir a Suprema Corte com sobriedade. Presidentes da Câmara e do Senado avaliam que sua gestão pode garantir um relacionamento institucional mais saudável e baseado no diálogo. Parlamentares destacam sua postura legalista, a discrição e a forma correta de exercer a magistratura.
No Palácio do Planalto, ministros próximos a Lula apostam em um presidente reflexivo, preocupado com a legitimidade democrática do tribunal e com a imagem da Justiça brasileira. A visão é de que Fachin seguirá uma linha semelhante à da ex-presidente Rosa Weber, fugindo dos holofotes e solucionando disputas internas longe do barulho midiático.
Perfil discreto, mas firme
Fachin não é um habitué da política nem da mídia. Raramente concede entrevistas, não circula em rodas empresariais e evita eventos de caráter político. Essa postura reservada, no entanto, não significa passividade. Ele reforça constantemente sua defesa da autocontenção judicial, defendendo que ao direito cabe o que é do direito e à política o que é da política.
Colegas de tribunal o descrevem como um magistrado íntegro, de grande preparo técnico e moral. Luís Roberto Barroso, seu antecessor, destacou ser “uma sorte para o país” ter Fachin no comando do STF. Já Gilmar Mendes ressaltou seu rigor técnico, vocação humanista e coragem para enfrentar questões difíceis.
Primeiras pautas da gestão
Uma das atribuições mais relevantes do presidente do STF é organizar a pauta de julgamentos do plenário. Fachin já indicou quais serão suas prioridades iniciais. Está previsto o julgamento sobre a relação de trabalho entre motoristas e aplicativos, processo com repercussão geral que pode redefinir o mercado de trabalho no país. Outro caso sensível envolve a Ferrogrão, ferrovia que ligará o Pará ao Mato Grosso e que enfrenta questionamentos ambientais e sociais.
Essas escolhas mostram que o novo presidente pretende dar centralidade a temas de forte impacto social e econômico, reforçando a responsabilidade institucional da Corte.
Um Supremo mais unido
Ao assumir a presidência, Fachin também deixa clara sua intenção de fortalecer a colegialidade entre os ministros. Ele já afirmou que quer transformar “11 ilhas” em uma Corte unificada, capaz de oferecer respostas coletivas aos grandes conflitos que chegam ao tribunal.
Internamente, deve adotar rotinas para ouvir demandas dos colegas e construir consensos. Auxiliares acreditam que seu estilo firme e discreto, cultivado ao longo de uma década no STF, pode ser decisivo para reduzir atritos e ampliar a coesão da Corte.
O simbolismo da posse
Natural de Rondinha (RS), com 67 anos, professor titular de Direito Civil da UFPR, Fachin chegou ao Supremo em 2015, indicado pela então presidente Dilma Rousseff. Desde então, construiu uma trajetória marcada pelo rigor acadêmico, pelo espírito técnico e pela discrição. Agora, no comando do STF e também do Conselho Nacional de Justiça, carrega a missão de conduzir o Judiciário em um momento de alta tensão política e institucional.
Sua posse, portanto, vai além do ritual solene. Ela simboliza a esperança de que, em tempos de polarização e descrédito, a serenidade e o respeito às instituições possam prevalecer. O desafio de Fachin será equilibrar firmeza e diálogo, buscando transformar o Supremo em um espaço de unidade capaz de inspirar confiança, estabilidade e justiça em uma sociedade que anseia por respostas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/STF













