Partido aponta gravidade em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro e promete insistir também na suspeição do ministro.
A tensão em torno do caso Banco Master chegou a um novo patamar nesta quinta-feira. Em meio às revelações de mensagens que citam o ministro Dias Toffoli, o partido Novo anunciou que irá protocolar um pedido de impeachment contra o magistrado no Senado Federal. O movimento amplia a pressão política sobre o relator do processo no Supremo Tribunal Federal e adiciona mais um capítulo à crise que envolve a investigação.
A iniciativa é liderada pelo senador Eduardo Girão e pelo deputado Marcel van Hattem. Segundo os parlamentares, a representação será formalizada ainda nesta tarde e tem como fundamento as possíveis ligações de Toffoli com fatos investigados no âmbito do Banco Master.
Base do pedido
O pedido se apoia na perícia concluída pela Polícia Federal no material extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Nas mensagens analisadas, foram encontradas menções ao nome de Toffoli. Vorcaro é investigado por suspeitas de fraudes financeiras bilionárias.
Eduardo Girão afirmou que as informações reveladas tornam o cenário grave e justificam a medida extrema. O senador destacou que já haviam solicitado à Procuradoria-Geral da República a suspeição do ministro e que as novas revelações reforçam a necessidade de providências.
Marcel van Hattem declarou que o partido continuará insistindo na suspeição de Toffoli junto à PGR e que, a cada novo fato, apresentará aditamentos e novos pedidos.
Nono pedido no Senado
Este será o nono pedido de impeachment contra Dias Toffoli apresentado no Senado, de acordo com levantamento citado pela CNN. Em parte das representações anteriores, outros ministros do STF também foram incluídos.
Pela Constituição, cabe ao Senado processar e julgar ministros do Supremo por eventuais crimes de responsabilidade. Qualquer cidadão pode apresentar um pedido, mas o avanço da denúncia depende de decisão do presidente da Casa, atualmente Davi Alcolumbre, que precisa dar encaminhamento formal para que o processo tenha andamento.
Além do impeachment, parlamentares do Novo também cobraram a abertura de uma comissão de inquérito para investigar o caso Master.
Escalada política e institucional
Toffoli é relator do processo no Supremo e já negou qualquer irregularidade. Ele não é formalmente investigado até o momento. Ainda assim, a sequência de revelações e a pressão da oposição colocam o ministro no centro de uma disputa que ultrapassa os limites jurídicos e ganha forte dimensão política.
O que se vê agora é mais do que uma divergência partidária. É uma disputa que envolve credibilidade institucional, limites constitucionais e o delicado equilíbrio entre investigação, presunção de inocência e responsabilidade pública. Em um ambiente já marcado por polarização, cada novo movimento amplia o impacto de um caso que ainda está longe de seu desfecho.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Metrópoles













