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Oposição renova pressão para afastar Toffoli do caso Master após PF apontar mensagens sobre pagamentos

Deputado Carlos Jordy protocola novo pedido na PGR enquanto relatório da Polícia Federal cita conversas que mencionam empresa ligada ao ministro.

A crise que envolve o caso Banco Master ganhou um novo e sensível capítulo em Brasília. Em meio a questionamentos sobre transparência e imparcialidade, a oposição voltou a pressionar pela saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do processo no Supremo Tribunal Federal. O movimento ocorre após a revelação de que a Polícia Federal identificou mensagens que mencionam pagamentos à empresa da qual o magistrado é sócio.

Nesta quinta-feira, o deputado federal Carlos Jordy apresentou à Procuradoria-Geral da República um novo pedido de suspeição de Toffoli. O parlamentar defende que o afastamento é necessário para preservar a credibilidade do STF e garantir segurança jurídica diante da gravidade dos fatos investigados.

Novo pedido e argumento da oposição

Na representação, Jordy solicita que Toffoli seja retirado da relatoria e que o processo seja redistribuído a outro ministro da Corte. O deputado sustenta que, independentemente do desfecho das investigações, os elementos revelados até agora configuram uma situação que exige cautela institucional.

O documento menciona a apuração sobre a transferência de recursos de um fundo vinculado ao Banco Master que adquiriu o Resort Tayayá, no Paraná. A empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio, vendeu o empreendimento ao fundo ligado à instituição financeira.

Em nota, o ministro reconheceu ser integrante do quadro societário da empresa, mas negou qualquer relação com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e afirmou não haver irregularidade.

Jordy argumenta que a eventual redistribuição do caso não representa censura pessoal, mas uma medida institucional para proteger o devido processo legal e a confiança pública na Corte.

O que diz o relatório da PF

O novo pedido ocorre um dia após a divulgação de que a Polícia Federal encontrou, no celular de Daniel Vorcaro, mensagens trocadas com seu cunhado, Fabiano Zettel, que tratariam de pagamentos à empresa Maridt.

Segundo o relatório entregue ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, as conversas mencionam diretamente Toffoli. A suspeita levantada pela PF é de que os pagamentos estariam relacionados à negociação do Resort Tayayá.

As mensagens foram extraídas do aparelho de Vorcaro durante as investigações. A existência desses diálogos trouxe novo peso político e jurídico ao caso, alimentando a narrativa da oposição de que há elementos suficientes para questionar a permanência do ministro na relatoria.

Histórico de pedidos rejeitados

Não é a primeira vez que parlamentares pedem o afastamento de Toffoli. Em 22 de janeiro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou três pedidos de suspeição apresentados por Jordy e por outras deputadas da oposição. Na ocasião, os questionamentos estavam relacionados a uma viagem do ministro ao Peru, em um jatinho acompanhado por um advogado de um dos investigados.

Ainda aguarda manifestação da PGR um outro pedido, apresentado pelo deputado Sanderson, que sustenta haver indícios de participação econômica indireta ou sociedade de fato oculta no Resort Tayayá.

Agora, com a inclusão das mensagens citadas no relatório da PF, a pressão política se intensifica.

Muito além de um nome

O que está em jogo vai além da figura de um ministro ou da disputa entre governo e oposição. Trata-se da confiança nas instituições e da percepção pública sobre a imparcialidade da Justiça. Em um país onde a descrença muitas vezes se instala antes mesmo da conclusão dos processos, cada movimento ganha peso simbólico.

Seja qual for a decisão da Procuradoria-Geral da República, o caso Master já se tornou mais do que uma investigação financeira. Ele se transformou em um teste delicado para a credibilidade do Supremo e para a capacidade das instituições de responder, com transparência e serenidade, às dúvidas que inquietam a sociedade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Rosinei Coutinho-STF

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