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Orçamento de 2026 vira teste de força do governo no Congresso

Entre “infiéis” e disputas eleitorais antecipadas, Planalto busca formas de minimizar impactos fiscais e garantir governabilidade.

O orçamento de 2026 se tornou um verdadeiro desafio para o governo federal no Congresso, revelando a tensão entre o Executivo e parlamentares considerados “infiéis” à base aliada. A perda da Medida Provisória que aumentaria a taxação de operações financeiras, prevista para render R$ 17 bilhões aos cofres públicos, expôs o receio de deputados e senadores de entregar possíveis ganhos eleitorais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de 2026.

Conflito com a base aliada

Líderes governistas avaliam que parte do Congresso já começou a se movimentar para as eleições de 2026, dificultando a colaboração com o Planalto. Como resposta, o governo iniciou a retirada de aliados desses parlamentares de cargos nos escalões da administração pública. Apesar disso, a equipe econômica continua em busca de soluções para minimizar o impacto fiscal da perda da MP e garantir algum consenso na elaboração do orçamento.

Pressão por emendas e cronograma rígido

Outro ponto de tensão é o calendário de pagamento obrigatório das emendas parlamentares, previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. Deputados e senadores defendem que o cronograma traz previsibilidade aos gestores, enquanto o Executivo alerta que ele engessa o orçamento. O relator da LDO, Gervásio Maia (PSB-PB), deixou claro que não pretende alterar o calendário, gerando atrito com o governo.

Reuniões e tentativas de negociação

Nesta quarta-feira (15), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para discutir alternativas orçamentárias. Na terça-feira (14), o senador Efraim Filho, presidente da Comissão Mista de Orçamento, aceitou adiar a votação da LDO no colegiado, mas criticou a ofensiva do governo. “Se o governo teve a frustração da MP, é importante saber que foi no voto, não por imposição. É um desejo do Congresso, que representa a sociedade, de dar um recado claro: não se aguenta mais agenda de aumento de alíquotas para arrecadar, arrecadar e arrecadar”, afirmou.

Durante debates na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Haddad destacou os impactos fiscais do recuo sobre a MP 1303, defendendo que pelo menos a revisão de gastos primários fosse votada.

Reflexão sobre governabilidade

O cenário revela não apenas a complexidade da política orçamentária, mas também a fragilidade da governabilidade em um contexto de disputa antecipada para 2026. Entre pressões eleitorais e responsabilidades fiscais, o governo e o Congresso precisam equilibrar interesses políticos e a necessidade de manter a saúde das contas públicas: um teste de maturidade e diálogo que refletirá diretamente na capacidade de execução de políticas essenciais para a população.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Senado

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