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Organização Mundial da Saúde confirma nova variante recombinante da Mpox; risco geral segue baixo

Casos foram identificados no Reino Unido e na Índia; entidade reforça vigilância, mas não recomenda restrições de viagens.

A Organização Mundial da Saúde confirmou o surgimento de uma nova variante da Mpox formada a partir da recombinação de duas linhagens do vírus. Apesar da descoberta, a entidade mantém inalterada sua avaliação de risco para a população geral, classificada como baixa.

Os dois primeiros casos documentados foram registrados no Reino Unido, em dezembro de 2025, e na Índia, identificado em janeiro de 2026 após análise de uma amostra coletada em setembro do ano anterior.

Como surgiu a nova variante

A recombinação ocorre quando dois vírus relacionados infectam a mesma pessoa e trocam material genético, dando origem a uma nova variante. Trata-se de um processo natural já conhecido na virologia.

No caso britânico, o paciente havia retornado de viagem à região Ásia-Pacífico em outubro de 2025. Já na Índia, o infectado tinha histórico recente de viagem à Península Arábica.

Ambos apresentaram sintomas semelhantes aos observados em outras linhagens da doença. Nenhum desenvolveu quadro grave. O paciente indiano chegou a ser internado, mas sem complicações e com recuperação completa. No Reino Unido, o rastreamento de contatos não identificou casos secundários. O mesmo ocorreu na Índia.

Evidências de circulação mais ampla

A análise genética detalhada revelou que os dois casos, embora diagnosticados com semanas de diferença, foram causados pela mesma cepa recombinante. A variante detectada na Índia apresentou mais de 99,9% de similaridade com a identificada no Reino Unido, indicando origem evolutiva comum.

O sequenciamento genômico mostrou 34 tratos recombinantes na amostra da Índia e 28 na do Reino Unido, com 16 segmentos em comum. O caso indiano é, até o momento, o registro mais antigo conhecido dessa cepa.

Um ponto relevante é que os testes iniciais de PCR indicaram clades diferentes em cada país, o que demonstra que exames convencionais podem não identificar adequadamente variantes recombinantes. Por isso, a OMS destaca a importância do sequenciamento genômico completo.

Além disso, o fato de haver indícios de circulação da cepa em pelo menos quatro países, distribuídos por três regiões da OMS, sugere que a variante pode estar mais disseminada do que os números atuais indicam. A origem exata ainda é desconhecida.

Avaliação de risco permanece estável

A OMS mantém a avaliação de risco global inalterada. O risco é considerado moderado para homens que fazem sexo com homens com parceiros novos ou múltiplos e para profissionais do sexo ou pessoas com múltiplos parceiros ocasionais. Para a população geral sem fatores específicos de risco, a classificação segue como baixa.

Segundo a entidade, ainda é cedo para tirar conclusões sobre maior transmissibilidade ou mudanças no padrão clínico da doença associadas à nova cepa, devido ao número limitado de casos.

Recomendações aos países

A organização recomenda que os países mantenham vigilância epidemiológica ativa, com notificação rápida de eventos incomuns e casos importados. Também orienta que seja realizado sequenciamento genômico de todos os casos confirmados em surtos iniciais e de pelo menos 10% das amostras em contextos de transmissão comunitária.

A OMS reforça ainda a importância de garantir atendimento adequado aos pacientes, fortalecer estratégias de vacinação e integrar serviços de HIV e infecções sexualmente transmissíveis ao cuidado de casos suspeitos ou confirmados de Mpox.

Com base nas informações atuais, a entidade não recomenda restrições a viagens ou comércio envolvendo os países citados.

A descoberta da nova variante serve como lembrete de que vírus continuam evoluindo silenciosamente. Vigilância, transparência e cooperação internacional permanecem as ferramentas mais eficazes para evitar que novidades biológicas se transformem em crises globais.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução

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