Romeu Zema é o favorito nos bastidores, mas Tereza Cristina e Guilherme Derrite também entram no radar para compor a chapa presidencial.
A corrida presidencial de 2026 ainda está nos seus primeiros movimentos, mas, nos bastidores, as peças já começam a ser posicionadas com cautela estratégica. Entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Palácio do Planalto, a escolha do nome para vice é tratada como decisiva para ampliar alianças, reduzir resistências e fortalecer a chapa no tabuleiro político.

Três nomes circulam com mais força entre lideranças da direita. Embora a definição esteja em fase inicial, há uma ordem de preferência que revela tanto ambições quanto obstáculos no caminho.
Plano A: Romeu Zema
O nome considerado ideal por parte dos articuladores é o do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Reeleito e com boa avaliação no segundo maior colégio eleitoral do país, Zema agregaria peso político e ampliaria o alcance regional da chapa.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já manifestou publicamente simpatia pela composição. No entanto, há entraves. Zema já sinalizou que deseja disputar a Presidência como cabeça de chapa, e não como vice. Além disso, aliados observam com cautela o fato de ele não ter conseguido impulsionar seu vice, Matheus Simões (PSD), como sucessor natural em Minas, o que poderia indicar dificuldades de transferência de capital político.
Plano B: Tereza Cristina
Como alternativa, surge o nome da senadora Tereza Cristina (PP), ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro. Entre os defensores da ideia, pesa o argumento de que ela poderia ampliar o diálogo com o eleitorado feminino e oferecer um perfil técnico, visto como menos ideológico.
Aliados avaliam que Tereza Cristina tem imagem de gestora equilibrada e poderia suavizar a percepção de radicalização associada ao bolsonarismo mais duro, funcionando como um contraponto estratégico dentro da chapa.
Plano C: Guilherme Derrite
O terceiro nome ventilado é o do deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo. No entanto, interlocutores classificam sua inclusão como mais especulativa.
Há avaliações de que o parlamentar enfrentaria resistência em parte do eleitorado e até entre aliados, especialmente após a relatoria do chamado PL Antifacção. Outros apontam que ele teria perdido força política nos últimos meses. Além disso, sua eventual saída da disputa ao Senado por São Paulo abriria uma lacuna considerada sensível para a direita no maior colégio eleitoral do país.
O papel do PP na equação
Tanto Tereza Cristina quanto Derrite pertencem ao Progressistas (PP), partido comandado nacionalmente por Ciro Nogueira. Entre as legendas de centro, o PP é visto hoje como a mais propensa a integrar a chapa de Flávio, já que há resistências em outras siglas.
A eventual presença do PP na vice é considerada estratégica para ampliar a base política e fortalecer pontes com o centro. O fato de o partido ser federado ao União Brasil também é visto como trunfo para dar musculatura à candidatura.
Mais do que uma escolha de nome, a definição do vice representará o desenho do projeto político que a direita pretende apresentar ao país. Em um cenário ainda marcado por polarização e alianças frágeis, cada movimento pode redefinir forças e redesenhar caminhos rumo a 2026.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado e Reprodução













