Levantamento mostra empate técnico na rejeição entre o presidente e o senador, enquanto Tarcísio de Freitas e Ratinho Junior aparecem com menor desgaste e alto potencial de crescimento.
Os números revelam mais do que intenções de voto. Eles expõem sentimentos, cansaços e expectativas de um eleitorado que, aos poucos, começa a desenhar o clima da sucessão presidencial de 2026. Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Paraná Pesquisas mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) lideram a rejeição entre os principais nomes do cenário nacional, em um empate técnico que chama atenção para o grau de polarização ainda presente no país.
Os números revelam mais do que intenções de voto. Eles expõem sentimentos, cansaços e expectativas de um elitorado que, aos poucos, começa a desenhar o clima de sucessão
De acordo com o levantamento, Lula tem 45,3% de eleitores que afirmam não votar nele “de jeito nenhum”, enquanto Flávio Bolsonaro aparece logo atrás, com 44,7%. Considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais, os dois estão estatisticamente empatados nesse quesito, sinalizando um desgaste significativo entre parcelas expressivas do eleitorado.
Metodologia e abrangência da pesquisa
O Instituto Paraná Pesquisas ouviu 2.080 eleitores, entre os dias 25 e 28 de janeiro, em 160 municípios distribuídos por 26 estados e o Distrito Federal. A pesquisa tem grau de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08254/2026.
Rejeição menor abre espaço para governadores
Enquanto Lula e Flávio concentram os maiores índices negativos, dois governadores despontam com números mais favoráveis. Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, registra rejeição de 36,1%, quase dez pontos abaixo da do atual presidente. Já Ratinho Junior (PSD), governador do Paraná, apresenta a menor rejeição entre os nomes testados, com 33,8%.
Os dados indicam que, embora ainda não sejam unanimidade, ambos enfrentam menos resistência do eleitorado nacional, o que pode se traduzir em maior margem de crescimento ao longo do processo eleitoral.
Potencial eleitoral e desconhecimento do eleitor
Além da rejeição, a pesquisa avaliou o chamado potencial de voto, que soma os eleitores que afirmam votar “com certeza” com aqueles que dizem que “poderiam votar”.
Lula aparece com 31,5% de eleitores que votariam com certeza e outros 22,3% que poderiam votar nele. Flávio Bolsonaro soma 26,3% de votos certos e 28,1% de possíveis eleitores.
Ratinho Junior se destaca no potencial: 60% dos entrevistados afirmaram que poderiam votar nele, embora apenas 5,3% digam que o voto é certo. O dado vem acompanhado de outro indicador relevante: 31,3% do eleitorado nacional ainda não o conhecem.
Tarcísio de Freitas registra 48,1% na faixa dos que poderiam votar e 15,1% entre os que votariam com certeza. Ele é desconhecido por 22,7% dos entrevistados.
No conjunto, os números revelam um eleitorado ainda em movimento, dividido entre rejeições consolidadas e apostas em nomes que começam a ganhar projeção nacional. Mais do que definir vencedores antecipadamente, a pesquisa sugere que 2026 pode ser marcada menos por certezas e mais por disputas de narrativa, visibilidade e confiança. Em um cenário de cansaço com a polarização, o futuro pode estar justamente onde hoje ainda existe dúvida.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução













