Relator busca evitar que proposta siga o mesmo destino da PEC da Blindagem e já condiciona calendário de votações à aprovação da matéria.
O clima de incerteza que tomou conta do Congresso após a rejeição da chamada PEC da Blindagem no Senado ainda ecoa nos corredores de Brasília. E é nesse cenário que o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator da proposta que revisa as penas dos condenados por atos antidemocráticos, tenta uma operação política para evitar que o projeto enfrente o mesmo fim.
Tentativa de costura entre Câmara e Senado
Na quarta-feira (24), Paulinho retomou a maratona de reuniões com bancadas partidárias e deixou claro que o grande desafio agora é construir um acordo entre Câmara e Senado. Deputados temem aprovar a matéria apenas para vê-la ser enterrada na outra Casa, repetindo o desgaste que ocorreu com a PEC da Blindagem.
“Tem uma preocupação das bancadas… essa preocupação de votar e o Senado segurar. Como eu estou trabalhando para pacificar o país, não poderia deixar que essa confusão continuasse entre Senado e Câmara”, disse o relator a jornalistas.
Resistências e desgaste político
Na série de encontros, Paulinho conversou com lideranças do PT, PSDB, União Brasil, PP e Podemos. Nessas reuniões, ficou evidente o mal-estar deixado pela tramitação da PEC da Blindagem. O líder do PP, Doutor Luizinho (RJ), resumiu o sentimento: “Vivemos um momento bastante triste no Congresso, com uma PEC aprovada numa Casa e rejeitada logo em seguida na CCJ do Senado, mesmo após conversas de que aquele texto poderia passar”.
Relação com a pauta do Imposto de Renda
Em meio às negociações, Paulinho levantou uma possível consequência caso o projeto da anistia não avance. Segundo ele, a votação da reforma do Imposto de Renda pode ficar comprometida. “Acho que, se não votar isso, não vota nem IR”, declarou.
O calendário preocupa: a votação da matéria relatada por Paulinho deve ocorrer até a próxima terça-feira (30), antes da análise do projeto que prevê isenção do IR para quem ganha até R$ 5.000, agendada para 1º de outubro.
O peso das articulações
O recado do relator vai além de números e datas. Ele sinaliza que, em tempos de disputas cada vez mais expostas entre Câmara e Senado, nenhum projeto anda sozinho. O destino da proposta de anistia será, ao mesmo tempo, um teste da capacidade de articulação política e da disposição do Congresso de superar suas próprias divisões.
No fim, mais do que uma simples votação, está em jogo a imagem de um Parlamento que precisa escolher entre o desgaste da paralisia e a construção de pontes para seguir adiante.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados













