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PEC da Blindagem ganha novo relator e deve ser votada ainda hoje na Câmara

Deputado Cláudio Cajado assume a relatoria com promessa de avançar em texto que amplia prerrogativas parlamentares.

A chamada PEC da Blindagem voltou a ganhar força no Congresso nesta terça-feira (16). O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), escolheu o deputado Cláudio Cajado (PP-BA) como novo relator da proposta, em substituição a Lafayette de Andrada (Republicanos-MG). Com um perfil mais articulador e trânsito entre diferentes bancadas, Cajado já chega com um novo texto pronto para ser levado ao plenário ainda hoje.

A matéria, também apelidada de PEC das Prerrogativas, reacende debates intensos no Legislativo e na sociedade, já que prevê mudanças significativas nas regras de investigação e responsabilização de parlamentares.

O que muda com a proposta

O texto em discussão restringe a prisão em flagrante de deputados e senadores e estabelece que a abertura de ações penais contra congressistas dependerá de aval do Legislativo, retomando um trecho da Constituição de 1988.

A versão apresentada por Cajado deve incluir prazo de 90 dias para análise dos processos e ampliar o alcance das medidas para presidentes de partidos políticos.

Histórico de impasses

Sob a relatoria anterior, o projeto não avançou. Reuniões acabaram em bate-bocas e até em ameaça de ruptura do PL com a proposta. A resistência estava no fato de o então relator, Lafayette de Andrada, não aceitar um relatório mais abrangente. Um texto alternativo chegou a circular, prevendo até maior autonomia ao Congresso diante de decisões do Supremo, mas não prosperou.

Agora, a expectativa é de que a nova versão tenha maior aceitação entre os parlamentares, principalmente por ser vista como alternativa menos polêmica em comparação a projetos como a anistia e o fim do foro privilegiado.

Reflexo político

Ao avançar com a PEC, a Câmara expõe mais uma vez o embate entre os poderes e a tentativa dos parlamentares de reforçar sua blindagem institucional. Para críticos, a proposta pode abrir espaço para a impunidade; para defensores, trata-se de resgatar o equilíbrio entre Legislativo e Judiciário.

No fim, o que se decide hoje não é apenas uma regra de procedimento, mas um marco que pode redefinir os limites da responsabilidade e da proteção parlamentar em um Brasil ainda marcado por tensões políticas e institucionais.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Câmara

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