Estudo aponta percepção generalizada de impunidade e desconfiança na efetividade das leis penais no país.
A sensação de impunidade continua sendo um dos maiores dilemas da segurança pública brasileira. Uma nova pesquisa da Quaest, em parceria com a Genial Investimentos, mostra que 86% dos brasileiros acreditam que a polícia prende, mas a Justiça solta bandidos por causa de uma legislação fraca. O levantamento, batizado de “Prende e Solta”, escancara um sentimento coletivo de frustração com as brechas legais e a falta de punição efetiva no país.
População vê leis como frágeis e ineficazes
Segundo o estudo, apenas 11% dos entrevistados discordam da afirmação de que a Justiça solta criminosos devido à fragilidade das leis, enquanto 1% preferiu não se posicionar e 2% não souberam responder. O dado revela o quanto a percepção de impunidade está enraizada entre os brasileiros, que veem nas falhas da legislação um obstáculo para o enfrentamento da criminalidade.
O tema tem ganhado ainda mais relevância diante da escalada da violência e da sensação de insegurança nas grandes cidades. Para especialistas, essa percepção popular reflete não apenas o medo, mas também uma descrença crescente nas instituições responsáveis por garantir a ordem e a justiça.
Contraponto: percepção de violência nem sempre reflete a realidade
Apesar do sentimento generalizado de impunidade, a pesquisa traz um dado curioso. Quando questionados sobre a vivência direta da violência urbana, 58% dos brasileiros afirmaram não conhecer ninguém que tenha sido assaltado ou furtado nos últimos 12 meses.
Os números mostram que, embora o medo e a indignação estejam presentes no discurso coletivo, a experiência pessoal com o crime nem sempre acompanha essa percepção. Confira os resultados:
- Muitas pessoas: 13%
- Algumas pessoas: 20%
- Apenas uma pessoa: 9%
- Não conheço: 58%
- Não souberam ou não responderam: 0%
Entre o medo e a esperança
Os dados da pesquisa reacendem uma discussão antiga e urgente: o equilíbrio entre justiça, punição e direitos. A sensação de que o crime compensa corrói a confiança da sociedade no sistema penal e evidencia a necessidade de reformas profundas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Brasil













