Laudo enviado ao STF reduz chances de transferência do ex-presidente para prisão domiciliar.
A rotina de Jair Bolsonaro dentro do sistema prisional voltou ao centro do debate público, desta vez sob a lente da saúde e da legalidade. Um laudo médico elaborado pela Polícia Federal lança luz sobre as condições de custódia do ex-presidente e ajuda a redesenhar o cenário jurídico em torno dos pedidos feitos por sua defesa nas últimas semanas.
Segundo o documento, Bolsonaro tem recebido tratamento médico considerado adequado na unidade prisional conhecida como Papudinha, no Distrito Federal. O relatório destaca que ele segue dieta especial, passa por controle regular da pressão arterial e realiza exames periódicos, dentro dos protocolos disponíveis no sistema penitenciário.
Laudo médico e impacto jurídico
O laudo foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a abertura de prazo de cinco dias para manifestação da Procuradoria-Geral da República. De acordo com apuração da CNN, o conteúdo do documento diminui as chances de que Bolsonaro seja transferido, no curto prazo, para prisão domiciliar, como tem solicitado sua defesa.
O relatório tem 52 páginas e aponta que o ex-presidente apresenta sete comorbidades médicas, entre elas hipertensão arterial, síndrome da apneia obstrutiva do sono, obesidade clínica e refluxo gástrico. Ainda assim, a Polícia Federal conclui que o quadro atual não exige transferência para cuidados hospitalares.
Riscos apontados e recomendações
Apesar de descartar a necessidade de internação, a PF ressalta que, mesmo com controle clínico e protocolos de pronta resposta disponíveis, é necessária a otimização dos tratamentos e das medidas preventivas, especialmente diante do risco de complicações cardiovasculares.
O documento também chama atenção para a presença de sinais e sintomas neurológicos que aumentam o risco potencial de novos episódios de queda, recomendando investigação diagnóstica complementar para esclarecimento das causas.
Rotina, cuidados e relatos pessoais
O laudo traz ainda detalhes da consulta médica realizada com Bolsonaro. Segundo a Polícia Federal, o ex-presidente afirmou que procura manter-se equilibrado emocionalmente e demonstrou preocupação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com a filha Laura.
Ele relatou que aciona o serviço médico apenas quando considera estritamente necessário e descreveu sua rotina diária no sistema penitenciário. Disse que costuma dormir entre 22h e 5h, faz a barba e toma banho por volta das 8h, dedica parte do dia à leitura, assiste a programas esportivos e conversa com o policial responsável pela guarda externa.
Bolsonaro também afirmou que realiza caminhadas diárias de aproximadamente um quilômetro, sempre sob escolta.
Estrutura adaptada no alojamento
Como medida preventiva, o laudo confirma a instalação de um botão de pânico ao lado da cama, para uso em caso de mal-estar. Também foram colocadas barras de apoio próximas à cama e ao sanitário, diante de episódios anteriores de tontura.
Entre pareceres técnicos, decisões judiciais e disputas políticas, o documento revela um recorte pouco visível do processo: a vida cotidiana de um ex-presidente atrás das grades. Um cenário que mistura rigor institucional, cuidados médicos e a dimensão humana de quem, mesmo no centro do poder por anos, agora vive sob regras, limites e vigilância e que seguirá sendo observado com atenção pelo país.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













