Ministro André Mendonça autorizou acesso às contas do filho do presidente no inquérito que apura fraudes bilionárias no INSS.
A investigação sobre as fraudes bilionárias no INSS ganhou um novo e delicado capítulo. A Polícia Federal levou ao Supremo indícios de que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teria sido destinatário de pagamentos mensais que os investigadores classificam como suspeitos. Diante do material reunido, o ministro André Mendonça autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal.
O pedido foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal no âmbito do inquérito que apura o esquema de descontos irregulares em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social. A partir da decisão, a Polícia Federal passa a analisar movimentações financeiras para identificar eventuais transferências, origem dos recursos e a cronologia dos depósitos.
Relatório sob sigilo e suspeita de repasses mensais
No relatório enviado ao STF, a PF descreve supostos pagamentos mensais de R$ 300 mil que teriam como destino Lulinha. Segundo a investigação preliminar, os valores seriam repassados por meio de uma amiga dele e teriam como origem Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
De acordo com os investigadores, os repasses poderiam estar relacionados à facilitação de acesso a ambientes específicos em Brasília. A defesa de Lulinha e de Antunes nega qualquer irregularidade.
A PF sustenta ainda a hipótese de que o filho do presidente atuaria como sócio oculto do lobista, tese que agora será aprofundada com a análise das contas bancárias.
Envelope apreendido e mensagens interceptadas
Um dos pontos considerados relevantes pelos investigadores foi a apreensão de um envelope, durante a última fase da Operação Sem Desconto, que trazia o nome de Lulinha para recebimento da encomenda. O material estava com uma amiga dele.
Após a apreensão, segundo a PF, mensagens trocadas entre essa amiga e o “Careca do INSS” demonstrariam preocupação com o fato de o envelope ter sido localizado. Em uma das conversas, ela teria informado que “acharam um envelope com o nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão”. A resposta atribuída a Antunes teria sido curta e direta: “Putz”.
Além disso, um ex-funcionário do lobista afirmou em depoimento à Polícia Federal e à CPMI do INSS que pagamentos a Lulinha eram mencionados com frequência.
Próximos passos da investigação
Com a quebra de sigilo autorizada por André Mendonça, os investigadores agora terão acesso detalhado às movimentações bancárias do filho do presidente. A intenção é identificar se houve depósitos compatíveis com os valores citados, quem realizou as transferências e qual a sequência temporal desses supostos pagamentos.
O caso adiciona um componente político sensível a uma investigação que já envolve cifras bilionárias e atinge diretamente aposentados. Entre suspeitas, negativas e decisões judiciais, o que está em jogo não é apenas a apuração de responsabilidades individuais, mas a confiança da sociedade nas instituições que deveriam proteger justamente os mais vulneráveis.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agora RN













