Relatório da Operação Sem Desconto descreve senador como liderança política e sustentáculo financeiro do grupo comandado pelo “Careca do INSS”.
As páginas do inquérito da Polícia Federal revelam um enredo que vai além de cifras e cargos públicos. Elas desenham um quadro em que poder político, interesses empresariais e a vulnerabilidade de aposentados se cruzam de forma alarmante. No centro desse cenário, segundo a PF, está o senador Weverton Rocha, vice-líder do governo Lula no Senado, apontado como “sócio oculto” de um esquema de fraudes no INSS que pode ter causado prejuízos bilionários.
O parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira, no âmbito da nova fase da Operação Sem Desconto. De acordo com o relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal sustenta que Weverton teria se beneficiado de operações financeiras estruturadas pela organização criminosa, recebendo recursos e vantagens por meio de terceiros, inclusive assessores parlamentares.
PF vê senador como liderança do esquema
Na decisão que embasou as medidas, a PF afirma que Weverton Rocha não seria apenas um beneficiário indireto, mas uma “liderança e sustentáculo” das atividades empresariais e financeiras de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema.
Segundo os investigadores, o suporte político teria sido determinante para o crescimento patrimonial do grupo. Em conversas interceptadas ainda em 2023, entre funcionários ligados a Antunes, foi encontrado um arquivo em Excel intitulado “GRUPO SENADOR WEVERTON”, elemento que, para a PF, reforça de forma contundente a hipótese de que o parlamentar integrava o núcleo de comando da organização.
O que diz o relatório da investigação
De acordo com a Polícia Federal, Weverton teria atuado como beneficiário final das operações financeiras ilícitas, usando interpostas pessoas para ocultar sua participação direta. O relatório aponta que parte dos recursos e benefícios teria circulado por meio de assessores ligados ao gabinete do senador.
A PF afirma ainda que o enriquecimento do “Careca do INSS” foi viabilizado por esse suporte político, o que amplia o alcance da investigação e adiciona uma camada institucional ao esquema de fraudes.
Nova fase da Operação Sem Desconto
A ofensiva deflagrada nesta quinta-feira é uma das maiores já realizadas no âmbito da investigação. Ao todo, estão sendo cumpridos 52 mandados de busca e apreensão, 16 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares, todos expedidos pelo STF.
As ações ocorrem no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. O foco é um esquema de descontos associativos irregulares aplicados a aposentados e pensionistas do INSS, prática que teria gerado prejuízos bilionários.
Quem são os principais alvos
Entre os presos estão Adroaldo Portal, secretário-executivo da Previdência do governo Lula, e Romeu Carvalho Antunes, filho do “Careca do INSS”. Também foram detidos filhos de ex-dirigentes do INSS e empresários apontados como operadores do esquema.
Weverton Rocha aparece na lista de alvos de busca e apreensão. Outros investigados foram submetidos a monitoramento eletrônico, e há ainda suspensões de funções públicas, incluindo a do próprio Adroaldo Portal.
Um caso que ultrapassa nomes e cargos
As acusações ainda serão analisadas pelo Judiciário, e a ampla defesa segue garantida. Mas o conteúdo do relatório da Polícia Federal lança uma sombra pesada sobre a relação entre política, interesses privados e a gestão da Previdência. Em jogo não estão apenas reputações ou mandatos, mas a confiança de milhões de brasileiros que dependem do INSS para sobreviver.
Quando investigações apontam que o dinheiro tirado do bolso de aposentados pode ter financiado redes de poder e influência, o impacto vai além do noticiário. Ele toca diretamente na sensação de justiça e no direito básico à dignidade. É por isso que cada novo desdobramento dessa operação ecoa tão forte fora dos tribunais, lembrando que a verdadeira conta dessas fraudes sempre acaba chegando à sociedade.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado













