Após perda de mandato na Câmara, filho do ex-presidente deve se reapresentar à Polícia Federal sob risco de sanções administrativas.
A trajetória política de Eduardo Bolsonaro sofreu mais um abalo significativo nesta sexta-feira (2). Depois de perder o mandato de deputado federal, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi oficialmente convocado a retomar suas funções na Polícia Federal, encerrando um longo período de afastamento da corporação. A decisão marca uma virada simbólica e institucional na carreira do parlamentar, agora diante de obrigações que vão além do cenário político.
Em ato declaratório publicado no Diário Oficial da União, a Polícia Federal determinou o retorno imediato de Eduardo Bolsonaro ao cargo de escrivão, função que ocupa desde 2010. O documento é claro ao alertar que a ausência injustificada poderá resultar em providências administrativas e disciplinares cabíveis.
Retorno com finalidade administrativa
Segundo o ato da PF, o retorno ocorre “para fins exclusivamente declaratórios e de regularização da situação formal”. Na prática, a corporação exige que Eduardo se reapresente oficialmente, restabelecendo o vínculo funcional interrompido durante o período em que exerceu mandato na Câmara dos Deputados.
Enquanto atuava como parlamentar, Eduardo Bolsonaro estava legalmente afastado das atividades policiais, conforme prevê a legislação para servidores públicos eleitos para cargos políticos.
Afastamento e permanência no exterior
Desde março do ano passado, Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos, período em que se licenciou do mandato na Câmara. A permanência fora do país, somada à ausência prolongada nas sessões legislativas, foi determinante para o desfecho político vivido pelo parlamentar.
Em dezembro, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados declarou a perda do mandato, justificando a decisão pelo número suficiente de faltas não justificadas, conforme estabelece o regimento interno da Casa.
Fim de um ciclo político
A determinação da Polícia Federal encerra, ao menos por ora, um ciclo político que colocou Eduardo Bolsonaro no centro de debates nacionais e internacionais. O retorno ao cargo de escrivão impõe não apenas uma mudança de função, mas também uma cobrança institucional clara sobre deveres e responsabilidades.
Mais do que um ato administrativo, a decisão expõe o peso das regras do serviço público e reforça que, independentemente do sobrenome ou do capital político acumulado, a estrutura do Estado exige presença, compromisso e prestação de contas. É um momento de inflexão que convida à reflexão sobre os limites entre a política e a função pública.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Cânara dos Deputados













