Documento contém menções ao ministro no caso envolvendo Daniel Vorcaro, mas não há solicitação expressa de afastamento.
Em meio às repercussões do caso Banco Master, a Polícia Federal encaminhou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Edson Fachin, um relatório com informações envolvendo o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro. Diferentemente do que se especulava, no entanto, não houve pedido formal de suspeição do magistrado.
Segundo a apuração, o material foi entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e reúne elementos que indicariam possível conflito de interesse. Apesar disso, o documento não traz uma solicitação expressa para que Toffoli seja afastado da relatoria do caso.
Relatório com indícios, mas sem requerimento formal
O conteúdo encaminhado ao STF contém registros que, na avaliação dos investigadores, poderiam sustentar a discussão sobre eventual suspeição. Ainda assim, caberá à Presidência da Corte analisar os elementos apresentados e decidir os próximos passos.
O caso envolve investigações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alvo de apuração por supostas irregularidades financeiras. A menção ao nome de Toffoli no contexto das investigações ampliou a tensão institucional em torno do processo.
Após o envio do relatório, o ministro divulgou nota oficial rebatendo as suspeitas e defendendo a regularidade de sua atuação.
Empresa familiar entra no debate
Em nova manifestação, o gabinete de Toffoli detalhou informações sobre a empresa Maridt, citada nas investigações. Segundo a nota, trata-se de uma sociedade anônima de capital fechado, de caráter familiar, regularmente registrada e com declarações fiscais em dia.
O ministro afirmou integrar o quadro societário da empresa, que é administrada por parentes, ressaltando que a Lei Orgânica da Magistratura permite a magistrados participação societária e recebimento de dividendos, vedando apenas o exercício de atos de gestão como administrador.
De acordo com o comunicado, a Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A saída ocorreu em duas etapas: a venda de cotas ao fundo Arlen, em setembro de 2021, e a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em fevereiro de 2025.
O episódio acrescenta mais um capítulo a um caso que já movimenta os bastidores do Judiciário e da política nacional. Entre relatórios técnicos, notas oficiais e interpretações jurídicas, o que está em jogo vai além de nomes e documentos: trata-se da credibilidade das instituições e da necessidade de que cada passo seja dado com transparência e segurança jurídica, para que as decisões sejam tomadas à luz dos fatos e não das pressões.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Jovem Pan













