Perícia foi concluída e material encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin; defesa fala em vazamentos e questiona legitimidade de pedido da Polícia Federal.
Em meio a um cenário já marcado por tensão institucional e desdobramentos delicados, a descoberta de uma menção ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, adiciona um novo capítulo a um caso que tem potencial de reverberar nos bastidores do poder em Brasília.
A informação veio à tona após a Polícia Federal concluir, nesta quarta-feira, dia 11, a perícia nos aparelhos apreendidos. O material foi encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. A revelação foi feita inicialmente pelo portal UOL e confirmada pela CNN Brasil.
O que foi encontrado
De acordo com a apuração, autoridades públicas aparecem citadas em conversas armazenadas nos celulares de Vorcaro. Entre os nomes mencionados estaria o do ministro Dias Toffoli. O conteúdo exato das mensagens não foi detalhado oficialmente, mas o simples registro de referências a integrantes da mais alta Corte do país já acende alertas sobre possíveis desdobramentos jurídicos e institucionais.
O envio do material ao presidente do Supremo segue o rito previsto quando há menção a ministros da Corte, o que reforça a sensibilidade do caso e a necessidade de análise criteriosa.
A reação do gabinete de Toffoli
Em nota, o gabinete de Dias Toffoli reagiu ao pedido da Polícia Federal que, segundo informado, teria solicitado a suspeição do magistrado no caso envolvendo o Banco Master. A manifestação afirma que o requerimento se baseia em “ilações” e não possui respaldo jurídico.
Ainda segundo a nota, a PF não teria legitimidade para formular esse tipo de pedido, uma vez que não é parte no processo, conforme estabelece o artigo 145 do Código de Processo Civil. A argumentação aponta para um debate técnico, mas com impacto direto na condução do caso.
Defesa fala em vazamento seletivo
A defesa de Daniel Vorcaro também se manifestou. Em comunicado, os advogados demonstraram “preocupação com o vazamento seletivo de informações”, afirmando que esse tipo de exposição pode gerar constrangimentos indevidos, alimentar ilações e favorecer a construção de narrativas equivocadas.
Os representantes do banqueiro ressaltaram a importância do contraditório e do devido processo legal, destacando que a apuração precisa ser técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais. A defesa declarou ainda confiar nas instituições e no regular funcionamento da Justiça.
Em um momento em que a credibilidade das instituições é constantemente colocada à prova, cada informação revelada carrega peso político e jurídico. Mais do que nomes citados em mensagens, o que está em jogo é a confiança no sistema, na transparência das investigações e na serenidade das decisões. Em tempos de polarização e suspeitas, a sociedade acompanha não apenas os fatos, mas a forma como eles serão conduzidos. E é justamente nessa condução que se constrói, ou se fragiliza, a confiança coletiva.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













