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PF investiga acesso ilegal a dados de ministros do STF em nova operação contra vazamento de informações

Operação Dataleaks apura atuação de grupo criminoso suspeito de invadir sistemas e comercializar dados sensíveis de autoridades, incluindo ministros da Suprema Corte.

A revelação de que dados pessoais e sensíveis de ministros da mais alta Corte do país podem ter sido acessados ilegalmente acendeu um novo alerta sobre a segurança das informações públicas no Brasil. A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (5) uma operação para investigar um suposto esquema criminoso especializado em obter e comercializar dados sigilosos extraídos de bases governamentais e privadas.

Entre os possíveis afetados pelo vazamento estão os ministros do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, Alexandre de Moraes e Flávio Dino.

Operação mira organização especializada em dados

Batizada de Operação Dataleaks, a ação da Polícia Federal tem como alvo uma organização criminosa suspeita de atuar na obtenção, adulteração, comercialização e disseminação ilegal de dados pessoais e sensíveis.

Segundo os investigadores, a apuração começou após a descoberta de uma base de dados não oficial que reunia informações sigilosas de autoridades públicas. Esse material, de acordo com a investigação, teria sido abastecido a partir de acessos indevidos a sistemas e bancos de dados governamentais.

No âmbito da operação, estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária nos estados de São Paulo, Tocantins e Alagoas. As ordens judiciais foram autorizadas pelo próprio STF.

Investigados podem responder por diversos crimes

De acordo com a Polícia Federal, os suspeitos poderão responder por uma série de crimes, entre eles organização criminosa, invasão de dispositivo informático, furto qualificado mediante fraude, corrupção de dados e lavagem de dinheiro.

Os investigados identificados na operação são Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes.

A suspeita é de que o grupo tenha montado um verdadeiro mercado clandestino de informações, utilizando dados obtidos ilegalmente para alimentar bancos de dados paralelos e possivelmente comercializar essas informações.

Receita Federal apontou acessos suspeitos

Em janeiro, o Supremo Tribunal Federal já havia divulgado um comunicado informando que o sistema da Receita Federal do Brasil registrou “múltiplos acessos ilícitos” antes do vazamento de dados sigilosos de ministros da Corte e de seus familiares.

Segundo a nota divulgada na ocasião, essas informações teriam sido utilizadas para produzir “suspeitas artificiais de difícil dissipação”, levantando preocupações sobre o uso indevido de dados sensíveis.

Após a operação, a Receita Federal afirmou em nota que não tolera desvios de conduta dentro da instituição.

Relação com investigação sobre o Banco Master

Diante das suspeitas, o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura de um inquérito para apurar se houve quebra irregular de sigilo fiscal envolvendo ministros do STF e familiares por parte da Receita Federal ou do Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

As suspeitas ganharam força após o avanço da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Em um momento em que a proteção de dados se tornou uma das principais preocupações institucionais do país, a investigação revela um cenário inquietante: quando informações sigilosas de autoridades podem ser acessadas ilegalmente, a questão deixa de ser apenas técnica e passa a tocar no coração da confiança pública nas instituições.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Brasil

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