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PF mapeia rede de influenciadores suspeitos de ataques ao Banco Central em defesa do Banco Master

Publicações coordenadas nas redes sociais levantam suspeitas de contratação para pressionar a autoridade monetária.

Em meio a um ambiente de desconfiança e crescente polarização nas redes sociais, a Polícia Federal acendeu um alerta: ao menos 40 perfis de influenciadores digitais estão sob suspeita de participação em ataques coordenados ao Banco Central. O caso, que envolve a defesa do Banco Master após sua liquidação extrajudicial, revela como disputas econômicas podem ganhar contornos de guerra narrativa no ambiente digital.

As publicações analisadas ocorreram entre 9 de dezembro do ano passado e 6 de janeiro deste ano e seguem um padrão semelhante de discurso, formato e timing. Para a PF, os indícios apontam para uma ação organizada, possivelmente vinculada ao chamado “Projeto DV”, sigla que, segundo investigadores, remete às iniciais de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Publicações repetem narrativa contra o Banco Central


Os perfis mapeados pertencem a influenciadores de diferentes áreas, como entretenimento, celebridades e, em menor número, finanças. O conteúdo divulgado sustenta argumentos como a suposta precipitação do Banco Central na liquidação do banco, o impacto negativo sobre “pessoas comuns” e a alegação de que o processo teria ocorrido em tempo considerado incomum.

A semelhança entre as mensagens chamou a atenção dos investigadores, que passaram a traçar uma linha do tempo das postagens para identificar possível coordenação e financiamento das ações.

Febraban aponta aumento atípico de ataques


Um levantamento da Febraban, realizado a partir de monitoramento contínuo das redes sociais, identificou um aumento considerado fora do padrão em postagens com ataques ao Banco Central no fim de dezembro, especialmente na última semana de 2025. O pico coincidiu diretamente com a repercussão da liquidação do Banco Master.

Segundo a federação, o monitoramento inclui menções à atuação da autoridade monetária e também a seus dirigentes, como o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

PF ainda avalia abertura de inquérito


Até o momento, a Polícia Federal não instaurou inquérito formal. As informações fazem parte de uma IPJ (Informação de Polícia Judiciária) e estão sob análise da Diretoria de Inteligência, que vai decidir se há elementos suficientes para aprofundar a investigação criminal.

Influenciadores relatam abordagens suspeitas


Como já revelado anteriormente, influenciadores denunciaram ter sido procurados por representantes de empresas de marketing digital no fim de 2025 para produzir conteúdos questionando a liquidação do Banco Master. Entre eles estão o vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim, e a jornalista Juliana Moreira Leite, ambos com mais de um milhão de seguidores nas redes sociais.

Rony afirmou que recebeu contato para atuar em um suposto trabalho de “gerenciamento de reputação e gestão de crise para um grande executivo”. A proposta envolveria a assinatura de um contrato de confidencialidade, com multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. No documento apresentado, a ação é identificada como “Projeto DV”, associação que o vereador atribui ao empresário Daniel Vorcaro.

O caso expõe um debate que vai além do sistema financeiro: até que ponto a opinião pública pode ser moldada por campanhas disfarçadas de posicionamentos espontâneos? Em tempos de redes sociais como palco central do debate público, a resposta a essa pergunta se torna cada vez mais urgente e decisiva para a própria democracia.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Adriano Machado/Reuters

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