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PF recua e condiciona ida de Bolsonaro ao hospital à autorização do STF

Após confirmar transferência, corporação atualiza nota e diz que decisão cabe a Alexandre de Moraes; ex-presidente teve traumatismo craniano leve.

A instabilidade em torno do estado de saúde de Jair Bolsonaro ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (6). Em poucas horas, a Polícia Federal mudou sua versão e passou a condicionar a ida do ex-presidente a um hospital à autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliando a tensão política e jurídica que cerca o caso.

Inicialmente, a PF havia informado que Bolsonaro seria transferido para o hospital DF Star, em Brasília, após solicitação de seu médico particular. Pouco depois, no entanto, a corporação divulgou uma nota atualizada, esclarecendo que qualquer deslocamento do ex-presidente depende de aval do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que resultou na prisão do ex-presidente.

Queda na cela e diagnóstico médico

A discussão sobre a necessidade de atendimento hospitalar surgiu após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relatar, nas redes sociais, que o ex-presidente teria sofrido uma queda durante a madrugada e batido a cabeça em um móvel da cela, na Superintendência da PF, em Brasília.

O cirurgião Cláudio Birolini, responsável pelo acompanhamento médico de Bolsonaro, confirmou à CNN Brasil que o ex-presidente teve um traumatismo craniano leve. Até o momento, não há informação oficial sobre a realização de exames complementares, o que mantém o quadro sob observação e alimenta a expectativa por uma decisão do STF.

Nota da PF e papel do STF

Na nova versão do comunicado, a Polícia Federal reforça que, por se tratar de um preso sob custódia determinada pelo Supremo, qualquer saída para atendimento externo precisa ser previamente autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. A mudança de posicionamento ocorreu minutos após a divulgação da primeira nota, o que gerou repercussão imediata nos bastidores políticos e jurídicos.

Histórico recente de internações

O episódio ocorre poucos dias após Bolsonaro receber alta hospitalar. Ele foi internado em 24 de dezembro para tratar uma hérnia inguinal bilateral, mas acabou passando por quatro procedimentos cirúrgicos em cerca de uma semana.

Além da cirurgia da hérnia, o ex-presidente precisou de intervenções para conter crises persistentes de soluço e realizou exames que identificaram esofagite, gastrite e picos de pressão arterial. Durante a internação, Bolsonaro também solicitou a prescrição de antidepressivos, pedido que ainda depende de decisão de Moraes.

Longo histórico cirúrgico

Desde o atentado sofrido em 2018, quando foi esfaqueado durante a campanha presidencial, Bolsonaro passou por uma série de cirurgias, incluindo reconstrução do intestino, retirada da bolsa de colostomia, correções de hérnias e procedimentos no sistema digestivo e respiratório.

A sucessão de intervenções médicas ao longo dos anos tem sido constantemente usada por aliados como argumento para reforçar a necessidade de cuidados especiais, enquanto críticos destacam que qualquer decisão deve seguir rigorosamente os critérios legais.

Entre versões que mudam, decisões que aguardam despacho e um quadro clínico que inspira atenção, o caso de Bolsonaro expõe, mais uma vez, o delicado ponto de encontro entre saúde, Justiça e política: um terreno sensível onde cada passo é observado de perto pelo país inteiro.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Brasil – EBC

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