Partido aposta em Michelle e Flávio Bolsonaro como rostos da campanha para manter o eleitorado mobilizado.
A possível prisão de Jair Bolsonaro (PL) e sua consequente ausência na campanha eleitoral de 2026 têm provocado preocupação na cúpula do Partido Liberal, que teme perder o fôlego conquistado nas urnas em 2022, quando elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados. A avaliação interna é de que, sem o carisma e o poder de mobilização do ex-presidente, a legenda poderá enfrentar dificuldades para manter sua base coesa, especialmente nas disputas proporcionais.
O desafio de manter o “efeito Bolsonaro”
Nos bastidores, líderes do PL admitem que o “efeito Bolsonaro” ainda é o principal motor do partido. Enquanto as eleições majoritárias, como as de governador e senador tendem a ser polarizadas, as disputas proporcionais exigem maior capilaridade e identificação direta com o eleitorado, o que torna mais difícil a transferência de votos sem a figura do ex-presidente nas ruas e nas redes.
O temor é que a ausência de Bolsonaro enfraqueça as campanhas de deputados federais e estaduais, reduzindo o número de cadeiras conquistadas pelo partido no Congresso.
Michelle e Flávio no centro das atenções
Para conter o impacto, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tem articulado novas estratégias. Entre elas está a exploração da imagem de Michelle Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, que devem ocupar papel de destaque nas propagandas eleitorais, santinhos e eventos de campanha.
Michelle, com sua popularidade crescente entre o público conservador e o eleitorado feminino, é vista como a voz emocional e simbólica do bolsonarismo, enquanto Flávio deve reforçar o discurso político e institucional do grupo.
Além disso, a direção do partido busca nomes com potencial de atrair votos em colégios eleitorais estratégicos, como São Paulo e Rio de Janeiro, em uma tentativa de compensar a ausência do principal líder.
Um partido à espera de seu líder
Com o julgamento do ex-presidente se aproximando e a possibilidade de prisão ainda em 2025, o PL se vê diante de um impasse: como manter viva a força do bolsonarismo sem o próprio Bolsonaro?
Enquanto o partido tenta reinventar sua narrativa, uma certeza permanece: a dependência da imagem do ex-presidente segue sendo o maior trunfo e também o maior desafio da legenda.
No fundo, a estratégia do PL reflete mais do que um cálculo político: é a tentativa de preservar um projeto que nasceu de um nome e que, agora, precisa provar que pode sobreviver sem ele.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













