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Polícia nega morte de “Japinha do CV” e diz que corpo é de jovem baiano com mandados de prisão

Autoridades afirmam que nenhuma mulher foi morta na megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 121 mortos.

A suposta morte da “Japinha do CV”, conhecida como Penélope, ganhou força nas redes sociais logo após a megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. Postagens lamentando a morte da mulher, apontada como uma das combatentes de confiança do Comando Vermelho, se espalharam rapidamente. No entanto, a Polícia Civil do Rio de Janeiro negou nesta terça-feira (4) que ela esteja entre as vítimas da ação.

Corpo era de outro suspeito

De acordo com as autoridades, nenhum corpo feminino foi encontrado após a operação. A imagem que circulava como sendo de Penélope, na verdade, era do suspeito Ricardo Aquino dos Santos, de 22 anos, natural da Bahia, que tinha dois mandados de prisão ativos. “Diferentemente do que foi divulgado, não havia nenhuma mulher entre os opositores mortos na Operação Contenção”, informou a Polícia Civil em nota oficial.

A confusão se intensificou depois que familiares de Penélope chegaram a confirmar sua morte em publicações nas redes sociais. A irmã dela chegou a pedir para que as fotos do “corpo” não fossem mais divulgadas, afirmando que a família estava sofrendo. Com o avanço das investigações, no entanto, a identidade verdadeira do corpo foi esclarecida.

Mistério e boatos sobre o paradeiro de Penélope

Após a confirmação da polícia, começaram a surgir novas especulações sobre o paradeiro da chamada Japinha do CV. Perfis, fotos e vídeos atribuídos a ela voltaram a circular, levantando a hipótese de que a notícia da morte possa ter sido uma estratégia para despistar as autoridades e facilitar sua fuga. Até o momento, a Polícia Civil não confirmou essa possibilidade.

Operação mais letal da história

A megaoperação, considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro, deixou 121 pessoas mortas, incluindo quatro policiais. O governo estadual divulgou o perfil de 115 dos 117 suspeitos identificados, dos quais 97 possuíam antecedentes criminais. Segundo a gestão Cláudio Castro, mais de 95% dos mortos tinham ligação com o Comando Vermelho, e 54% não eram do Rio.

Nenhum nome feminino apareceu na lista oficial.

Em meio à dor das famílias, à onda de desinformação e à brutalidade da operação, permanece o contraste entre os números e as histórias humanas por trás deles. A “morte” que não foi, e a tragédia que foi, revelam, mais uma vez, o quanto o Rio segue dividido entre a realidade das balas e o silêncio de quem sobrevive.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução

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