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Porto de R$ 8 milhões em Guajará-Mirim inaugura… mas só para virar atração pública

Inaugurado em 2023 com pompa de “marco de integração”, o terminal fluvial custou mais de R$ 8 milhões e até hoje não funciona; virou um porto-museu vazio, só acessível para visitação com regras restritivas.

Guajará-Mirim – R$ 8 milhões na rede, mas indústrias e comércio seguem na lama

Em uma solenidade recheada de autoridades, ministros e murmúrios de integração com a Bolívia, o Porto Oficial IP4 em Guajará-Mirim foi inaugurado em agosto de 2023. Dois anos depois, ele ainda está parado, servindo apenas como cenário para cliques de curiosos. 

Enquanto isso, os barqueiros e comerciantes da região continuam sua rotina: enfrentam barrancos enlameados no inverno e poeirentos no verão, carregando e descarregando como se fosse o século passado. A estrutura, mais improvisada que moderna, não atendeu ao propósito de impulsionar o comércio fronteiriço e permanece uma promessa vazia.

Deturpando a lógica de “porto”, o local, embora construído tecnicamente em Rondônia, está sob responsabilidade do DNIT do Amazonas e ninguém consegue explicar muito bem por quê. É o retrato do paradoxo: portuário sem porto em plena fronteira.

Um porto que abre — mas só para turista

Em setembro de 2025, o espaço finalmente foi aberto ao público, mas não para movimentação de cargas. É um “porto-museu”, com regras curiosas: horário de visita de 8h às 18h, proibição de estudantes de farda pós-aula, proibição de fotos além do estacionamento, e nada de crianças desacompanhadas ou bebidas ilícitas. Tudo isso sob o olhar de um único agente de portaria, num monumento sem acervo nem navegação.

Um símbolo de frustração

“Esse porto nasceu de uma necessidade real”, lamenta Cícero Noronha, da Federação das Associações Comerciais. Guajará-Mirim sempre precisou de um terminal minimamente adequado para movimentar mercadorias, especialmente para o trânsito com a Bolívia. Mas o que se vê hoje é um monumento caro que não cumpre a função para a qual foi projetado.  

A resposta do DNIT

Em nota, o DNIT do Amazonas informou que o IP4 está “em operação desde a emissão da ordem de início de serviços, em novembro de 2022”. Contudo, o processo de “alfandegamento ainda está em fase de implementação”, o que impede o recebimento de embarcações internacionais  e segue impedindo o porto de operar como planejado. Enquanto isso, a população continua usando o porto municipal, improvisado e em operação, localizado na mesma orla. 

No final das contas

O Porto IP4 de Guajará-Mirim, com seu investimento de R$ 8 milhões, passou de símbolo de esperança a uma estrutura vistosa que só funciona como atração, enquanto o comércio e a mobilidade seguem improvisados. Se é para falar de integração ou desenvolvimento, sobra expediente para repensar prazos, gestão e prioridades. O porto existe… mas permanece inerte.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Expressão de Rondônia

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