Para senador Carlos Viana, ouvir o dono do Banco Master é essencial para esclarecer suspeitas de fraudes em empréstimos consignados.
Em meio a uma investigação que toca diretamente a renda e a dignidade de milhões de aposentados, a CPMI do INSS tenta evitar qualquer lacuna que comprometa a apuração dos fatos. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), recorreu ao Supremo Tribunal Federal em um movimento que escancara a tensão institucional em torno do caso e a importância atribuída ao depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Viana encaminhou ofício ao ministro Dias Toffoli, solicitando a garantia da convocação de Vorcaro para prestar depoimento à CPMI na próxima quinta-feira (5). Para o senador, a oitiva é decisiva para esclarecer a contratação de empréstimos consignados, os valores envolvidos e os procedimentos adotados no âmbito das investigações.
Convocação aprovada e foco no deslocamento
Segundo Carlos Viana, o pedido feito ao ministro trata exclusivamente da autorização de deslocamento do empresário, em razão das medidas judiciais em vigor, como o uso de tornozeleira eletrônica. Ele reforçou que a convocação já foi aprovada pelo colegiado e não está em discussão. “A CPMI aprovou a convocação. A decisão da Comissão não está em debate”, afirmou em entrevista à Jovem Pan.
Limites entre os Poderes
Questionado sobre a possibilidade de o STF impedir o depoimento, o senador foi direto ao defender a autonomia do Legislativo. Para ele, não cabe ao Judiciário interferir nos trabalhos de uma comissão parlamentar de inquérito. “O Judiciário não legisla, não preside CPI e não substitui o Congresso. Cabe ao Supremo garantir direitos individuais; cabe ao Parlamento investigar”, afirmou, ao avaliar que o respeito aos limites institucionais evita conflitos entre os Poderes.
Compromisso com a investigação
Carlos Viana afirmou ainda que a CPMI seguirá com os trabalhos até o encerramento das investigações. Em tom firme, destacou o caráter social da apuração. “A CPMI do INSS vai cumprir sua missão até o fim, doa a quem doer, porque proteger aposentados, viúvas e órfãos não é uma opção política, é um dever constitucional”, declarou.
Histórico da CPMI do INSS
Instalada em 20 de agosto, a CPMI do INSS realizou 29 reuniões até 4 de dezembro e retoma oficialmente os trabalhos em 5 de fevereiro. Em 2026, a comissão concentra esforços na análise de fraudes em empréstimos consignados, com suspeitas de assédio, concessões sem consentimento e renovações fraudulentas que resultaram em dívidas impagáveis para beneficiários.
Em 2025, a comissão ouviu 26 testemunhas, entre elas Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”. O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), classificou Antunes como “autor do maior roubo a aposentados e pensionistas da história do Brasil”. Segundo dados apurados, ele teria movimentado R$ 24,5 milhões em apenas cinco meses. Parte dos depoentes permaneceu em silêncio, amparada por habeas corpus, e senadores apontaram contradições em algumas oitivas.
Caso Banco Master e desdobramentos
A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, e da gestora Reag, em janeiro deste ano, expôs um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro. O caso envolve suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro por meio de banco público e tensões entre STF, Tribunal de Contas da União e órgãos de controle.
Em nota à época, o Banco Central informou que o regime especial foi motivado pela grave crise de liquidez do conglomerado Master, pelo comprometimento de sua situação econômico-financeira e por violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. De forma extrajudicial, foram liquidados o Banco Master S/A, Banco Master de Investimento S/A, Letsbank S/A e a Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
O processo foi acompanhado da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras. Como resultado, Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro, posteriormente liberado sob medidas caute
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado













