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Primeira noite da ocupação da oposição no Congresso é marcada por vigília e protestos silenciosos

Parlamentares revezaram-se nas mesas diretoras e prometem manter pressão por anistia, impeachment e PEC do fim do foro privilegiado.

A primeira noite da ocupação da direita no Congresso Nacional foi marcada por uma vigília silenciosa e por sinais de tensão política. Deputados e senadores de oposição decidiram passar a noite nos plenários da Câmara e do Senado, em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada na segunda-feira (4) pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

No Salão Verde e no Plenário da Câmara, cerca de três grupos de dez parlamentares se revezaram em turnos de três horas durante a madrugada. No Senado, a vigília contou com mais de dez senadores, segundo Eduardo Girão (Novo-CE), com ao menos dois congressistas presentes a cada instante, enquanto outros chegavam para prestar apoio.

“Ficam sempre, pelo menos, dois senadores à noite. Durante o dia tem mais. A gente fica conversando, trabalhando. E também vem muitos deputados. Como é um número maior, eles dão aquela força”, disse Girão.

O clima descrito pelos parlamentares foi de tranquilidade, mas o gesto político teve forte carga simbólica. Esparadrapos na boca foram usados por alguns congressistas, em alusão a um suposto silenciamento da oposição.

Pressão por anistia e impeachment

Na coletiva de imprensa concedida na manhã de terça-feira (5), os oposicionistas apresentaram o chamado “pacote da paz”, que inclui três reivindicações centrais:

  1. Impeachment de Alexandre de Moraes;
  2. Anistia ampla, geral e irrestrita para os condenados e investigados pelos atos de 8 de janeiro de 2023;
  3. PEC do fim do foro privilegiado.

O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, gravou vídeo nas redes sociais dizendo que a ocupação seguirá até que os presidentes das Casas deem uma resposta:

“Nós estamos começando agora uma ação na Câmara e no Senado, ocupando as duas mesas diretoras, e não sairemos até que os presidentes se reúnam para resolver um problema de soberania nacional.”

Reação de Hugo Motta e Davi Alcolumbre

O movimento da oposição levou os presidentes das Casas a suspenderem temporariamente as atividades legislativas. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), cancelou a sessão de terça-feira e anunciou uma reunião de líderes para esta quarta (6):

“Determinei o encerramento da sessão e amanhã chamarei reunião de líderes para tratar da pauta, que sempre será definida com base no diálogo e no respeito institucional. O Parlamento deve ser a ponte para o entendimento”, publicou no X (antigo Twitter).

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também fez um apelo à serenidade e ao diálogo, classificando a ocupação como “exercício arbitrário das próprias razões”:

“Precisamos retomar os trabalhos com respeito, civilidade e diálogo, para que o Congresso siga cumprindo sua missão em favor do Brasil e da nossa população.”

Como funciona a estratégia da oposição no Congresso

  • Ocupação simbólica das mesas diretoras: Deputados e senadores permanecem nos plenários em turnos, para marcar posição política.
  • Obstrução de votações: Toda tentativa de avanço na pauta legislativa é bloqueada com manobras regimentais.
  • Pressão pública: Ações teatrais, como o uso de esparadrapos na boca, visam engajar apoiadores e ampliar o desgaste do STF e do governo.
  • Pacote de exigências: Anistia, impeachment e PEC do fim do foro são apresentados como condição para encerrar a ocupação.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Brasil

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