Três anos após os ataques golpistas, presidente afirma que a data não pode cair no esquecimento e defende manifestações em todo o país.
O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nesta segunda-feira (5) um vídeo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocando a militância para participar, nesta quinta-feira (8), de atos em memória dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidas e depredadas por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na gravação, Lula reforça a necessidade de manter viva a defesa da democracia. “Nós precisamos fortalecer a democracia. A gente vai ter um ato simbólico contra o 8 de Janeiro aqui em Brasília”, afirmou o presidente. No ano passado, Lula participou de uma cerimônia alusiva à data, que acabou esvaziada e não contou com a presença dos presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal.
Segundo Lula, há uma tentativa de apagar o significado do episódio. “Eles querem que o 8 de Janeiro caia no esquecimento, e nós queremos que a sociedade não se esqueça nunca de que um dia este País teve alguém que não soube perder a eleição”, declarou.
Mobilização nacional e tentativa de criar tradição
No domingo (4), o PT já havia convocado sua base para ocupar as ruas e a Praça dos Três Poderes, local diretamente atingido pelos atos golpistas. A decisão de promover manifestações em memória do 8 de Janeiro foi tomada no mês passado pela legenda, que pretende transformar a data em um marco anual de mobilização democrática.
A orientação interna do partido é que atos sejam realizados não apenas em Brasília, mas também nas principais cidades de todos os Estados, ampliando o alcance simbólico da data e reforçando o discurso de vigilância permanente contra ameaças ao regime democrático.
STF também prepara homenagem
O Supremo Tribunal Federal também programou uma iniciativa para lembrar os ataques. A Corte exibirá um documentário interno sobre o 8 de Janeiro, com foco nos servidores que atuaram na recuperação do tribunal após a invasão. Os atos golpistas causaram um prejuízo estimado em R$ 12 milhões aos prédios públicos.
Três anos depois, o episódio segue no centro do debate político e institucional, sendo utilizado tanto como símbolo de resistência democrática quanto como elemento de disputa narrativa no cenário político nacional.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Ricardo Stuckert/PR













