Home / Politica / PT inclui Confúcio e Acir entre 27 nomes ao Senado; cenário em Rondônia expõe impasse jurídico

PT inclui Confúcio e Acir entre 27 nomes ao Senado; cenário em Rondônia expõe impasse jurídico

Documento interno entregue a Lula reúne pré-candidatos do partido e de aliados; caso de Acir esbarra na Lei da Ficha Limpa.

A corrida ao Senado começa a ganhar contornos mais definidos e, em alguns estados, também mais polêmicos. O Partido dos Trabalhadores definiu, por meio de resolução interna, 27 nomes que devem disputar vagas na próxima eleição, entre filiados da legenda e integrantes do campo aliado da esquerda e do centro. A lista foi apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e inclui dois nomes de peso em Rondônia: Confúcio Moura e Acir Gurgacz.

As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles e colocam o estado no centro de uma articulação que mistura alianças nacionais, disputas locais e entraves jurídicos.

Acir e o impasse da inelegibilidade

Acir Gurgacz, que já ocupou cadeira no Senado, mantém histórico de proximidade com lideranças nacionais do PT. Durante os governos de Lula e Dilma, destinou volume expressivo de emendas e recursos ao Orçamento da União. Embora em seus veículos de comunicação costume destacar diálogo também com o governo Bolsonaro, sua trajetória política sempre esteve mais conectada ao campo da centro-esquerda.

O problema é jurídico. Acir foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 4 anos e 6 meses de prisão por desvio de finalidade na aplicação de financiamento obtido em instituição financeira oficial. A condenação transitou em julgado em outubro de 2018, e a punibilidade foi extinta em setembro de 2022.

Pela Lei da Ficha Limpa, ele só poderá disputar cargos públicos a partir de setembro de 2030. Ainda assim, o ex-senador aposta no que considera uma brecha. No ano passado, a legislação foi alterada para reduzir o prazo de inelegibilidade de 12 para 8 anos. No entanto, uma emenda apresentada pelo senador Sérgio Moro estabeleceu que condenados por crimes contra a administração pública não seriam beneficiados. A defesa de Acir sustenta que sua condenação teria natureza ligada ao sistema financeiro, não diretamente à administração pública; ponto que, se levado adiante, deve gerar novo debate jurídico.

Confúcio e o alinhamento com Lula

Já o senador Confúcio Moura mantém relação aberta de apoio ao presidente Lula. O alinhamento político tem rendido recursos federais para projetos em Rondônia e reforçado a interlocução com o Palácio do Planalto.

Nos bastidores, essa aproximação também pode provocar rearranjos no MDB local. O deputado federal Lúcio Mosquini, que defende a volta de Bolsonaro ao poder e adota postura crítica ao governo Lula, pode rever seu espaço dentro da legenda caso o alinhamento com o Planalto se consolide.

Tabuleiro político em movimento

A definição dos 27 nomes ao Senado sinaliza que o PT quer disputar espaço estratégico na Casa Alta, onde se decidem pautas sensíveis e se consolidam maiorias institucionais. Em Rondônia, porém, o cenário revela mais do que uma simples escolha partidária. Ele expõe tensões entre viabilidade eleitoral, fidelidade ideológica e limites impostos pela legislação.

No fim das contas, a eleição ao Senado não será apenas uma disputa por cadeiras. Será também um teste sobre como alianças nacionais se sustentam nos estados, como a Justiça Eleitoral interpretará as novas regras da Ficha Limpa e até que ponto a política consegue reinventar nomes já conhecidos do eleitorado. Em um ambiente polarizado, cada candidatura carrega não só um projeto de poder, mas também uma narrativa sobre passado, presente e futuro.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *